Blog da Parábola Editorial

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Cinco passos para produzir um artigo científico de qualidade

Cinco passos para produzir um artigo científico de qualidade

Como produzir um artigo científico relevante na graduação e na pós-graduação

 

artigo científico é hoje o gênero textual mais conceituado na divulgação do saber acadêmico, além de ter se tornado um meio de assegurar o espaço profissional do pesquisador. Esse espaço vem se ampliando e abraçando também os graduandos¹, que têm sentido a necessidade das práticas da escrita acadêmica para além da obtenção de nota na avaliação de disciplinas (uma publicação pode ser critério para classificação na obtenção de bolsa de pesquisa, por exemplo). No entanto, nosso maior argumento para a relevância da escrita de artigo científico na graduação (e na pós-graduação) é que sua escrita pode contribuir para desenvolver capacidades linguageiras no discente, que poderão ser mobilizadas em outras situações acadêmicas. Tal argumento se baseia na tese do gênero textual/discursivo enquanto instrumento psicológico (no sentido vigotskiano do termo), desenvolvida por Bernard Schneuwly, pesquisador da Universidade de Genebra. Assim, não importa se o discente irá ou não, de fato, precisar escrever um artigo científico em sua vida acadêmica, mas sim as capacidades linguageiras desenvolvidas ao se trabalhar a produção escrita desse gênero e as operações envolvidas na produção de linguagemsintetizarrelacionar ideiasconcluir, fazer escolhas lexicais adequadas ao objetivo que se tem, fazer escolhas temáticas adequadas ao público-alvo e local de publicação, seleção dos conteúdos, dentre inúmeras outras. Além disso, o artigo científico também faz interface com outros gêneros da esfera acadêmica, tais como o resumo, a resenha, o projeto de pesquisa, a dissertação, a tese, além do seminário e da comunicação oral.


Vamos, então, a algumas dicas básicas para quem quer escrever um artigo científico. A enumeração das dicas visa facilitar alguns esclarecimentos sobre o processo como um todo, não reflete uma linearidade do processo de escrita.

1. O artigo final não conterá tudo o que você leu, pesquisou e escreveu. 

processo da escrita do artigo científico pode ser desmembrado em três instâncias que devem ser compreendidas como inerentes a esse processo. Inicialmente, a prescrição (ou a autoprescrição) do que lhe foi solicitado: se a escrita do artigo for a avaliação de uma disciplina, é importante considerar também as instruções de seu professor. Se você pretende escrever para publicar em uma revista, verifique as normas da revista para saber se seu trabalho será aceito, tanto em relação à temática, quanto ao número de páginas ou de seu papel social, ou seja, aluno de graduação, de pós-graduação etc. Em segundo lugar, ter em mente que boa parte do que você pesquisar pode não ser utilizado na versão final, e (boa) parte do que você escrever poderá ser excluído de seu texto final. Exemplifiquemos esse processo com a escrita do objetivo. Sua definição não é feita de forma mediata e no início do processo, ele irá se modificar conforme seu trabalho de pesquisa e de escrita for se materializando. Entenda que esse processo, que não aparece na versão final, é comum a todo escritor (não só aos acadêmicos). Compreender isso fará dessa “etapa invisível” um processo riquíssimo de aprendizagem em sua caminhada para tornar-se escritor de artigo científico, ou seja, das escolhas que você precisou fazer e de outras que você deixou de fazer. Por fim, o trabalho final, já realizado, é a versão final de seu texto, encaminhada ou aceita para publicação.

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Cursos de Letras no Brasil

Cursos de Letras no Brasil

Formados em Letras fazem o quê?

A pergunta pode parecer boba, mas não é. Fazia algum tempo que eu desejava me aproximar desse assunto em nosso blog, quando tive a atenção despertada por comentários feitos em grupos de discussão, em linhas do tempo no Facebook e por relatos de formadores de professores de língua[s] e literatura[s] em nível de graduação: na área de Letras, há grande desestímulo à carreira docente, muito por conta das duras condições de trabalho e da injustificadamente baixa remuneração dos profissionais formados nos cursos de Letras que se dispõem a atuar na educação básica. Até mesmo aqueles que seguem para o mestrado e o doutorado em Letras muitas vezes afirmam não serem reconhecidos em seus esforços de formação profissional enquanto não conseguem postos de trabalho no funcionalismo público federal, claro, com as exceções de praxe daqueles que conseguem postos de trabalho em algumas instituições privadas que invistam em pesquisa e ofereçam planos de carreira minimamente compensadores.


Celso Ferrarezi Jr.
 me contou, tempos atrás, a história do carteiro que atende a rua em que ele mora em Alfenas, MG. O carteiro, formado em História, encontrou mais estabilidade e segurança em ser funcionário concursado dos Correios do que no magistério municipal ou estadual; mais segurança como carteiro do que em assumir posto como professor na rede oficial de educação básica no município em que mora. Nenhum problema com ser carteiro, nenhuma crítica à escolha individual de qualquer profissão. A questão é o desperdício de tempo e de recursos, o investimento fraudado, o plano profissional abandonado pela crônica falta de investimento oficial em educação, não só em Minas Gerais, mas no Brasil como um todo.

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(Falta de) tempo para a educação literária escolar

(Falta de) tempo para a educação literária escolar

A importância da educação literária no cotidiano escolar

 

Um dos problemas mais difíceis enfrentados pela escola no quesito ‘educação literária’ é a insuficiência de tempo para garantir a leitura e a discussão de textos literários, e para se pensar a produção de textos relacionados às experiências literárias: sejam memórias de leitor, sejam textos críticos, sejam, por fim, trabalhos ficcionais. Se acrescentarmos outro ponto que venho defendendo veementemente – a saber, a necessidade de vivenciar o sistema literário de modo mais amplo –, o tempo nos espreme ainda mais.


Como garantir, com duas aulas (e às vezes uma…) de literatura por semana, condições de frequentar lançamentos, feiras, rodas de conversa, palestras de especialistas, exposições temáticas e acervos permanentes? Como criar e participar de clubes de leitura, como realizar entrevistas com agentes da cadeia produtiva do livro, como acompanhar polêmicas em periódicos especializados, como organizar e participar de saraus? Como entender e tomar parte em “disputas” ou “batalhas” poéticas – do repente ao rap? Como vivenciar o cotidiano de uma biblioteca institucional e de uma biblioteca comunitária, e entender a importância desses diferentes espaços para o acesso aos textos, para a mediação cultural, para a preservação da memória, para a pesquisa especializada? Como explorar as potencialidades oferecidas pelos novos suportes e recursos digitais de maneira crítica, colaborativa e criativa?

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Por que a sociedade precisa de professores e professoras (bem)formados em Letras?

Por que a sociedade precisa de professores e professoras (bem)formados em Letras?

Estudo da língua e fenômenos linguísticos

 

A reflexão sobre as línguas não é nova, é milenar, mas seu estudo cientificamente embasado é extremamente jovem, acaba de completar um século. Sobre as línguas, e sobre a língua portuguesa, em particular, reina ainda muita ignorância. Sabe-se bastante sobre a estrutura gramatical da língua, mas pouco sobre os fenômenos sociais de uso dessa língua. Estes clamam por explicações bem fundamentadas na ciência, e não apenas guiadas por juízos de valor subjetivos e dogmáticos.


Apesar de que muitos se queixam da dificuldade de aprender as regras da gramática normativa da língua portuguesa e até, por causa disso, pensam que “não sabem” português, o maior problema nessa área é a ignorância sobre as funções sociais da língua. Por incrível que pareça, nem os intelectuais e profissionais da mídia de maior destaque na sociedade brasileira demonstram compreender efetivamente o que é e como funciona uma língua. Talvez por isso mesmo é que Sírio Possenti diz que esses profissionais leem as gramáticas como fundamentalistas leem seus livros sagrados, ou seja, procurando identificar neles os erros dos infiéis, a fim de condená-los ao fogo do inferno.

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Parem o que estão fazendo e leiam esse livro

Parem o que estão fazendo e leiam esse livro

História sociopolítica da língua portuguesa

Atravessei ontem a metade de História sociopolítica da língua portuguesa, de Carlos Faraco. Cedo aqui à vontade de dizer a tod@s que se interessam pelos temas língua, cultura e relações de dominação que parem o que estão fazendo e leiam esse livro. É obra de síntese, de grande fôlego, escrita por um autor erudito e que domina seu ofício.


Não consigo ler o livro, obra de síntese, repito, sem pensar em suas condições de produção. 


História sociopolítica da língua portuguesa
não é só obra de síntese; é também obra de posicionamento em assuntos de política linguística. Por isso Faraco solta, com clareza cristalina, verdadeiros e necessários petardos. Temos um desses tantos petardos nas páginas 214 e 215, mas...

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Para que semiótica nos cursos de Letras?

Para que semiótica nos cursos de Letras?

O estudo da semiótica nos cursos de Letras

 

Vivemos em um mundo em que nos ocupamos não somente das palavras, mas também de imagens, de sons, de movimentos, de sentidos táteis. Frequentemente nos perguntamos sobre o sentido de cultivar as palavras e pouco relacionamos essa pergunta com o bombardeio sensorial que se apresenta não somente nas mídias, mas na música, nas artes, no esporte, nas representações culturais, nos rituais religiosos, no cotidiano.


Em um universo de compreensão tão complexa quanto o nosso, o profissional de Letras tem um papel essencial de apresentar ferramentas capazes de mobilizar recursos cognitivos do aluno para que ele passe a enxergar com lupa o mundo em que está inserido.

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Dez razões para usar as tecnologias digitais em sala de aula

Dez razões para usar as tecnologias digitais em sala de aula

O uso das tecnologias digitais em sala de aula


As tecnologias digitais estão definitivamente integradas em nossas vidas e ninguém mais tem dúvidas da necessidade de sua integração em nossas práticas pedagógicas. No livro Letramentos digitais, Dudeney, Hockly e Pegrum (2016) defendem que professores e alunos necessitam adquirir quatro tipos de letramento digital. O primeiro está relacionado ao uso da linguagem para comunicação, incluindo a utilização de celulares; o segundo visa tanto à busca quanto à filtragem de informação; o terceiro diz respeito às conexões como a participação em redes sociais, entre outros tipos de conexão; e o último inclui o (re-)desenho ou remix, como por exemplo, usar editor de imagens, inserir voz ou legendas em um filme com outro sentido, fazer montagens de textos e imagens etc.


Muitos são os motivos para usarmos as tecnologias digitais em sala de aula e o principal deles, em minha opinião, é o fato de fazerem parte de nossa vida cotidiana, pois os computadores, tabletes e celulares conectados à Internet se tornaram uma extensão de nós mesmos. A sala de aula não pode ignorar esses novos hábitos mediados pela Internet. 

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Hip-hop como prática de letramento

Hip-hop como prática de letramento

Letramentos de reexistência: uma história


Na docência, em nível básico ou superior, sempre temos nossa disciplina predileta, aquela que faz o olho brilhar e que a cada semestre nos leva a rever, com “furor pedagógico”,  as anotações feitas, replanejar aula a aula, buscar textos e pensar projetos como se fôssemos nós mesmas a sentar nas carteiras. Minha paixão é Língua, Poder e Diversidade Cultural, que leciono nas turmas de graduação do
bacharelado interdisciplinar.   A disciplina busca problematizar algumas das ideias que sustentam a construção da noção de Brasil Nação, analisar implicações políticas, sociais, culturais para os dias atuais, perceber as intrincadas relações de poder nas quais estamos inseridos e de que maneira diferentes grupos sociais subalternizados reinventam, reconhecem, nominam, práticas que têm a intenção e permitem  viver-burlar a morte simbólica e mesmo física. 


Na sala de aula, trabalhamos com as reexistências da população em situação de rua, de grupos de quilombo, de pescadores, de lésbicas, transexuais, grupos de K.POP, de rock,  de estudantes africanos, de estudantes cotistas, grupo de proteção de mulheres em situação de violência,  e outros tantos que ao longo do semestre vamos descobrindo próximos.  Focando o histórico da população negra no Brasil e mais especificamente os jovens da cultura hip-hop, interessa saber dos usos das diversas modalidades de linguagem que os ativistas realizam, reportando-se às matrizes africanas e afro-brasileiras, bem como os saberes escolares e os da cultura de rua.

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Análise do discurso: o debate político e as aulas de português

Análise do discurso: o debate político e as aulas de português

Duas pequenas frases

Ler textos é sempre uma atividade complexa. Foi-se o tempo em que se imaginava que uma mensagem poderia ser codificada, se por “codificada” se entendesse que todo o sentido deveria estar expresso por signos organizados segundo regras, sejam da sintaxe, sejam do texto. Hoje se sabe que grande parte do sentido está implícito (uso esse termo para recobrir um conjunto diferente de estratégias).


O que não está expresso e, no entanto, o leitor “descobre” é, frequentemente, um conhecimento, um saber evocado. Para usar um exemplo bem banal (comentado por Umberto Eco em um de seus livros): se numa viagem de carruagem nunca se fala dos cavalos, isso não significa que eles não estão na história. Se, ao final, numa parada, o viajante pede que os cavalos sejam alimentados, nenhum leitor vai estranhar. Ele sabe que carruagens são puxadas por cavalos.

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Por que é difícil incentivar o hábito de leitura na transição da infância para a adolescência?

Por que é difícil incentivar o hábito de leitura na transição da infância para a adolescência?

Hábito de leitura na transição da infância para a adolescência

Silviane Barbato (UnB)
com Mila Junger (Estudante de Ensino Médio)

 

Desafios da transição da infância à adolescência


Os momentos de transição implicam desafios que podem gerar dificuldades. Cada um de nós é produto de um emaranhado da história pessoal e da história coletiva, e esse diálogo entre a pessoa, as comunidades das quais faz parte e a cultural societal vai gerando novas formas de sentir e atuar no mundo.


As transições são dinamogênicas, isto é, geram desenvolvimento e abrem possibilidades de mudança. As dificuldades podem ser enfrentadas e, com a compreensão do que está ocorrendo, podemos produzir novas formas de fazer com foco na inclusão de todos. Estratégias e modos de enfrentamento podem ser ensinados, abrindo-se espaço para a expressão pessoal das crianças em transição e incentivando a produção da autonomia, independência intelectual e da colaboração em grupo.

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Libras? Que língua é essa?

Libras? Que língua é essa?

Confrontando discursos sobre a língua brasileira de sinais


O título deste texto traz à memória a publicação de Audrei Gesser, o livro LIBRAS? Que língua é essa? publicado pela Parábola Editorial em 2009. Outro dia, eu disse a Audrei que esse era um livro que eu gostaria de ter escrito. Pelo linguajar claro, pelo didatismo e pelo ineditismo. Sim, ineditismo. Pode até parecer que estou dando os louros para quem chegou muito depois, mas publicações anteriores na área ou versavam sobre a “surdez” de uma forma muito geral, ou sobre a Libras de uma forma mais técnica. Ou seja, oito ou oitenta. A pergunta que coincide com o título do livro de Gesser e da escrita deste texto talvez hoje não esteja mais tão presente na mente dos brasileiros, muito em face das explicações contidas naquela publicação. Que bom!

Em relação às outras línguas faladas no Brasil além do português, a LIBRAS é uma língua de inegável evidência. Hoje já vemos as pessoas utilizando a língua de sinais nas ruas (pelo menos eu percebo!), nos estabelecimentos comerciais, televisão, universidades etc. Numa ubiquidade maravilhosa e libertária, já que a Libras por muito tempo ficou relegada ao uso caseiro e às instituições de ensino para surdos no Brasil. Não que a população surda brasileira tenha crescido em relação às outras décadas, não! Mas, ela ganhou visibilidade. Apareceu graças à mudança de olhar, que se deu em grande parte por conta dos estudos de educadores, linguistas e da luta da própria comunidade surda, atualmente mais empoderada.

Os surdos expandiram os locais de uso de sua língua e ganharam legitimidade para isso (cf. lei 10.436/2002). Embora ainda não seja uma das línguas oficiais do nosso país, arrisco dizer que a Libras é a segunda língua mais falada no território nacional, depois do português, pois a comunidade surda chega a quase 1,5 milhões de pessoas usuárias (IBGE, 2010). “Sociolinguisticamente” falando, a situação da língua não é a ideal para uma comunidade de fala (em termos de aquisição e prática), porque a surdez é randômica. Nunca se sabe se alguém nascerá surdo ou não. E não existe uma cidade, estado ou país só de surdos. O que existe é uma comunidade bastante heterogênea, a maioria filhos de pais ouvintes não sinalizadores, mas que em grande parte, cedo ou tarde passam a conviver com a Libras e a aprendem no contato linguístico. A comunidade surda brasileira existe tanto presencialmente em associações e escolas de surdos, quanto virtualmente, nos espaços de discussão e diversão na internet.

Contudo, mesmo com os avanços acima descritos, é comum enfrentarmos o discurso daqueles que, baseados em sua experiência gestual, afirmam que as línguas de sinais não seriam suficientes para possibilitar o desenvolvimento linguístico de um indivíduo. Felizmente, não há mais como dar um passo atrás. Estamos muito evoluídos em termos de conhecimento científico sobre a autonomia linguística das línguas de sinais para se dizer o contrário. Somos comprovadamente seres providos de uma determinação biológica que reconhece inputs de diferentes qualidades¹, a saber:

(a) sonoros = línguas orais utilizadas pelos ouvintes;
(b) visuais = línguas de sinais utilizadas por surdos videntes;
(c) táteis = línguas de sinais utilizadas por surdos cegos.

 

Aproveito para remeter o leitor ao primeiro manual de línguas de sinais publicado², onde podem ser encontradas referências de pesquisas realizadas com mais de cinquenta línguas de sinais já estudadas no mundo. Não há mais como dizer que as línguas de sinais não são línguas naturais e humanas!


Três principais áreas da ciência lidam mais diretamente com as pessoas surdas: a educação, a linguística e a medicina (otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos principalmente).  A partir dessas, outras áreas correlatas também se ocuparam de investigar a surdez e seus desdobramentos materiais como a tradução, a política, a psicologia e algumas outras. Neste texto, vou me ater às três primeiras áreas, tentando pontuar suas principais contribuições ou retrocessos.
 

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Os gêneros do discurso na sala de aula

Os gêneros do discurso na sala de aula

Como exercitar os gêneros do discurso com alunos do curso de Letras?


Os estudantes do curso de Letras podem ter uma profícua experiência no mundo dos gêneros textuais/discursivos em duas dimensões:

(I) dimensão da vivência como leitor e produtor de textos orais e escritos nas diversas esferas sociais em que os gêneros (primários e secundários) forem utilizados no processo de interação verbal;

(II) dimensão da vivência como professor em formação que precisa conhecer teorias e encaminhamentos para o trabalho de leitura e de produção de textos na perspectiva dos gêneros.


Nas dimensões apontadas, defendo a ideia de “vivência” no sentido de experimentar, na literalidade do termo, e de ter experiência como leitor para formar leitores; ter a experiência de produtor de textos orais e escritos para ser professor de práticas orais e escritas; ter a experiência de analisar a configuração estrutural e composicional, a dinamicidade heterogênea e multifacetada, bem como a circulação ampla e irrestrita dos gêneros textuais para poder conduzir os diálogos que levam à interpretação e construção de sentidos do texto (verbal ou não verbal).

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Linguística na sala de aula

Linguística na sala de aula

Cinco livros de Carlos Alberto Faraco que todo professor de Letras deveria ter

 

A linguística é a ciência que estuda a linguagem verbal humana. O profissional linguista se dedica ao estudo das línguas e suas dimensões, assim como: sua estrutura, a maneira como a utilizamos, sua história e suas relações com as sociedades. 


Carlos Alberto Faraco é um linguista brasileiro, professor de língua portuguesa da Universidade Federal do Paraná, da qual foi reitor no período 1990-1994. Tem experiência na área de linguística, com ênfase em linguística aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: Bakhtin, discurso, dialogismo, história do pensamento linguístico, linguística e ensino de português.


Suas obras são adotadas em diversas faculdades de Letras. Veja uma relação de cinco livros do autor que todo professor de linguística deveria ter:

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Coesão textual: seis dicas para melhorá-la na produção de texto

Coesão textual: seis dicas para melhorá-la na produção de texto

O uso correto da coesão na produção textual

Você já deve ter ouvido alguém dizer: “Ah, eu até tenho boas ideias, mas não sei colocá-las no papel”. Pois é, isso normalmente acontece porque a pessoa deve ter alguma dificuldade com a coesão textual.


Muitas publicações falam sobre esse tema. Mas vamos tentar resumir em seis dicas aquilo que é mais importante de se pensar na hora  da produção de texto.


Antes, porém, é preciso lembrar que coesão textual forma um tipo de “par” com a coerência. A coerência é o bom encaixe das ideias presentes num texto. Isto é, um texto coerente, normalmente faz sentido, porque as ideias (o seu conteúdo) estão convivendo harmoniosamente lá dentro. E como se consegue isso? Com a coesão textual.


E o que é a coesão textual? Basicamente é palavra certa no lugar certo. Quer dizer, o modo como você organiza as palavras no texto para que as pessoas entendam aquilo que você quer transmitir a elas quando forem ler o que você escreveu.

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A falta de leitura pode destruir um país.

A falta de leitura pode destruir um país.

A leitura pode salvar ou destruir um país?

 

Numa oportunidade, no Rio de Janeiro, estive com Anna Rennhack, pedagoga e mestra em educação, que, por cerca de 13 anos, exerceu o cargo de gerente de Relações Institucionais no Grupo Record. Seu foco principal eram as vendas para o governo. Dela, ouvi uma informação preocupante, mas que precisa ser mais discutida e que já provocou inúmeras baixas no mercado editorial, de pessoas e empresas, e, se não estivermos atentos, pode provocar um dano muito maior à educação, à formação de leitores, ao futuro de nossos profissionais de todas as áreas. Pois bem, Anna Rennhack foi quem me deu o start deste artigo.            Anna Rennhack


Há dois anos um tipo de compra de livros está paralisado: são as compras de livros para bibliotecas das escolas feitas no quadro do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola). Tudo indica que não haverá compras em 2017 e, hoje, nada parece desanuviar o cenário para 2018!

Em 2014, último ano em que houve compras do PNBE, elas representaram quase 20 milhões de livros infantis e juvenis, correspondendo a 66% do mercado infantojuvenil. Isso significa dizer que nos últimos dois anos o mercado editorial neste segmento encolheu para 1/3 do que costumava ser.

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Bastidores dos estudos da variação linguística no Brasil

Bastidores dos estudos da variação linguística no Brasil

Relato de Stella Maris Bortoni-Ricardo

 

Enviou-me a Parábola Editorial sugestão de que eu escrevesse sobre curiosidades de variação linguística. O tema é oportuno porque o Brasil é a nação onde o modelo epistemológico e metodológico da variação linguística alcançou o mais amplo desenvolvimento, se considerarmos todos os países em que a língua ou línguas nacionais têm sido objeto desses estudos.


Quem me afirmou isso foi William Labov, e essa para mim já é a primeira importante curiosidade sobre o tema. No início da década de 1990, eu havia recentemente retornado de um estágio de pós-doutorado na Universidade da Pensilvânia, onde William Labov leciona há muito tempo, quando fui prazerosamente surpreendida com um amável convite de colegas linguistas da UFRJ para ir ao Rio de Janeiro encontrar-me justamente com o professor Labov. O convite partiu da saudosa amiga Alzira Tavares de Macedo, linguista do Departamento de Linguística e Filologia da Faculdade de Letras da UFRJ.

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Linguística contemporânea

Linguística contemporânea

Relativa cortadora: Que história é essa?

Recentemente, folheando a revista de bordo da Azul, topei com uma página inteira de propaganda da própria empresa que trazia, no alto e em letras bem grandes, a seguinte frase: “Você acumula pontos todos os meses para fazer aquela viagem que sonha todos os dias”. Claro que na mesma hora guardei a revista na mochila para incluir o achado no meu banco de dados. Por quê? Porque é um indício de uma mudança linguística que já se completou. Como assim?


Desde os anos 1970, diversos linguistas brasileiros vêm se dedicando a estudar o fenômeno chamado estratégias de relativização. As orações iniciadas por um pronome relativo (que, cujo, o qual etc.) são rotuladas tradicionalmente de “orações adjetivas”, mas na pesquisa linguística contemporânea recebem o nome de orações relativas. Quando o verbo é transitivo direto, tudo se passa sem nenhuma surpresa: “O carro que comprei é vermelho”. Mas quando o verbo é transitivo indireto, ou seja, quando o complemento desse verbo é introduzido por uma preposição, a coisa muda de figura. Onde a prescrição tradicional exigiria, por exemplo: Ninguém imagina os problemas por que / pelos quais eu tenho passado”, o que de fato ouvimos (e lemos) é: Ninguém imagina os problemas que eu tenho passado. Onde foi parar a preposição? Ela foi apagada ou cortada, justamente por isso essa construção é chamada de relativa cortadora.

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Meus alunos não gostam de ler!

Meus alunos não gostam de ler!

Dicas para estimular o hábito de leitura dos alunos na sala de aula

Material produzido por Carla Viana Coscarelli
e pela
 equipe do Redigir, FALE/UFMG


Isso acontece com frequência, mas não é o que queremos para nossos alunos, não é mesmo?


Aqui vão algumas dicas para você pensar sobre essa questão e encontrar algumas saídas para ela.


Detectando problemas:

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A importância de trabalhar literatura nas escolas

A importância de trabalhar literatura nas escolas

Veja uma lista de livros imperdíveis para trabalhar literatura na sala de aula.


É por meio da literatura que os alunos desenvolvem a imaginação, o hábito de leitura, o pensamento crítico e suas emoções. E mesmo sabendo que o ensino de literatura não está tão presente nas escolas como deveria, o cuidado para não tornar essa disciplina tão importante monótona deve ser tomado.


Para isso, listamos aqui quatro livros imperdíveis que lhe ajudarão a trabalhar o ensino de literatura e a prática da crítica literária em sala de aula.

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O que estamos aprendendo com as ocupações estudantis?

O que estamos aprendendo com as ocupações estudantis?

 Um convite à reflexão

 

Absolutamente nada.

Estamos, grosso modo, perdendo o bonde da história, aquele que está passando, e por medo de não sabermos direito o itinerário, ficamos parado no ponto esperando que venha o de sempre.

 

O bonde de sempre é guiado pelos rostos de sempre. Aqueles que todos conhecem. Gente do naipe de Eduardo Cunha & Cia.

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