Blog da Parábola Editorial

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O curso de Letras e suas possibilidades no mercado editorial

o curso de letras

Vamos sair da teoria e entrar na prática?

 

Um amigo pelo qual tenho enorme consideração e grande respeito pelo seu trabalho e inteligência me pediu que escrevesse sobre os aprendizados que um estudante de Letras pode adquirir trabalhando no meio editorial. Pensei se deveria mesmo escrever; afinal, seria para um blog cheio de teses, artigos acadêmicos, textos de pessoas cultas, doutores, autores renomados...


Mas daí me lembrei de tantos estagiários que já passaram por mim em mais de vinte anos na área editorial. Então, resolvi escrever um texto simples e direto para aqueles estudantes que, além de desejarem aprender coisas novas, querem entender como poderão aplicar alguns conhecimentos teóricos adquiridos na faculdade em sua vida profissional. E são muitas as áreas em que eles poderão atuar no futuro; afinal, o curso de Letras abre várias possibilidades de profissões. E na área editorial há diversas delas.


Muitos estudantes, ao se formarem, optam pela nobre carreira de professor. Ou pela continuidade da vida acadêmica, seguindo cursos de mestrado e doutorado, desenvolvendo pesquisas, publicando artigos e até mesmo livros, mas, provavelmente, também sendo professores. Essa profissão, porém, não tem seduzido muitos formados atualmente, independentemente da formação acadêmica. O que é uma pena, pois todos precisamos de bons professores para sermos bons em nossas profissões.

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Curso de Letras - como exercitar o pensamento crítico

Curso de Letras - como exercitar o pensamento crítico

Formação crítica do profissional de Letras


A linguagem é elemento fundamental para a reflexão e a ação sobre a realidade social. Entender como a linguagem funciona nas práticas sociais e se posicionar frente a elas, principalmente no mundo densamente semiotizado em que vivemos, é questão de cidadania. Para trabalhar e atuar de forma consequente no mundo, portanto, o profissional de Letras (e vou me ater aqui centralmente ao professor ou professora de línguas) precisa ter uma formação crítica.


Em termos dos debates sobre ensino e aprendizagem de línguas, está pressuposto hoje que a professora e o professor irão mobilizar a leitura crítica nas práticas de atuação linguística dos e das estudantes (ou seja, nas práticas de leitura, escuta, produção textual oral e escrita e análise linguística). Para fazer isso, a professora e o professor, em sua formação durante o curso de Letras, também precisam desenvolver sua própria leitura crítica. E trata-se de um processo que tem avançado nas últimas décadas, com professores terminando a graduação com uma visão mais aguçada dos problemas sociais que envolvem a constituição e o uso de linguagens.

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Língua Portuguesa e a excessiva busca de correção

Língua Portuguesa e a excessiva busca de correção

10 MANDAMENTOS +1 PARA EXORCIZAR A HIPERCORREÇÃO

 

Ultracorreção: fenômeno que se produz quando o falante estranha, e interpreta como incorreta uma forma correta da língua e, em consequência, acaba trocando-a por uma outra forma que ele considera culta; nessa busca excessiva de correção […], nota-se em geral o temor do falante de revelar uma classe de origem socialmente discriminada; hipercorreção, hiperurbanismo” (Dicionário Houaiss da língua portuguesa).

 

  1. Não usarás o verbo possuir

Em 99% dos casos, o querido e meigo verbo ter resolve a situação. Nos demais casos, dê uma paquerada no complemento, namore o objeto direto e veja qual verbo combina melhor com ele. Por exemplo, uma fábrica não “possui” encomendas de um modelo novo de carro: ela recebe encomendas. Ninguém “possui” dores nas costas: a gente sente/sofre/padece de dores nas costas. Uma cidade não “possui” problemas de transporte público: ela exibe/apresenta/ostenta problemas de transporte público… e por aí vai. O problema não é o verbo em si, mas a tendência que muitas pessoas exibem de querer usar possuir na crença de que é mais “sofisticado” ou “mais chique” e, por causa disso, de querer empregar o verbo dez ou doze vezes por página! Melhor é não usar nunca.

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Ler para as crianças é entrar no coração delas e nunca mais sair

Ler para as crianças é entrar no coração delas e nunca mais sair

7 motivos para tirar o escorpião do bolso e comprar um livro bem bacana

 

Já prestou atenção? Que criança não curte uma boa história? Difícil encontrar um piá que não fique boquiaberto com dragões, quartos escuros, portais mágicos ou bruxas engraçadas. Meu filho, por exemplo, quando menor, curtia uma bruxa bem feia, que zanzava por aí montada em um bode voador. Ouvia aquela história num misto gostoso de medo e gargalhada. Impagável. Até mandei um e-mail ao autor, certa vez, para agradecer a oportunidade de que eu fosse uma leitora divertida para meu pequeno, que ainda nem sabia ler.

 

Ah, mas vai saber. O garoto ficava tão curioso e tão intrigado com a magia de tirar palavras e histórias de uns rabiscos que era doido para aprender aquilo. Quem mais poderia atrair um novo leitor, além de outro leitor? Experimenta, depois me conta. Uma boa história de medo, um conto bonito, uma narrativa comovente, um poema altissonante, bem rimadão assim, as crianças curtem, curtem muito, sem as desobrigações que virão mais tarde. E se curtirem o embalo desde bem cedo, quem sabe o guri ou a guria passam a ler a torto e a direito, sem ligar se a escola mandou, se a mãe pediu, se o pai deu de castigo, se é moda na TV…

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Análise do discurso é política

Análise do discurso é política

Análise do discurso e questões sociais

 

Que a análise do discurso é política, não há dúvida. É, inclusive, um motivo de desconfiança de que se trate de uma especialização no interior da linguística (o curioso é que a “cognição” não sofre a mesma acusação – e dizer isso já é fazer política...).


Claro, podem-se encontrar trabalhos de pesquisa que se colocam sob o guarda-chuva “análise do discurso” e que tratam de questões “culturais”, “cognitivas”, “conversacionais”. Nestes casos (simplifico um pouco), discurso é quase sinônimo de fala (há quem prefira chamar estes trabalhos de estudos do discurso).

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Ensino de língua portuguesa

Ensino de língua portuguesa

Ensinar ou não nomenclatura gramatical?

 

Oração substantiva objetiva direta; regência nominal; aposto; sujeito indeterminado; pronome relativo; verbo intransitivo; sujeito oculto; objeto indireto; agente da passiva; locução adverbial; índice de indeterminação do sujeito; oração coordenada assindética; partícula apassivadora; vocativo; oração adjetiva restritiva; verbo transitivo direto; regência verbal… A lista de conceitos teóricos relacionados à gramática com a qual os estudantes se deparam na educação básica é imensa. Maior que ela, apenas a falta de paciência de muitos estudantes para lidar com essa lista de conceitos.


Será a impaciência dos estudantes justificada? Paciência ou impaciência à parte, os professores devem ou não ensinar a nomenclatura gramatical? E os estudantes precisam mesmo aprendê-la?

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Curso de Letras: desenvolva todas as suas competências

Curso de Letras: desenvolva todas as suas competências

Um roteiro em 10 passos

 

O início de um curso envolve uma série de sentimentos, principalmente quando se trata de uma graduação, independentemente de já termos cursado outra faculdade ou de essa ser a nossa primeira vez no nível superior.


Sejam quais forem os motivos que nos trouxeram, aqui nos encontramos: no primeiro semestre do curso de Letras. Partilhei dessa sensação há exatos onze anos e, de lá para cá, muita coisa mudou, embora eu já tenha pertencido a uma geração de estudantes formados sob uma ótica linguística, algo de grande valia em minha atuação como professor.

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Gêneros Textuais: um guia de leitura

Gêneros Textuais: um guia de leitura

16 sugestões e um convite

 

A literatura sobre gêneros no Brasil cresceu enormemente. Não é possível ler tudo o que se escreve sobre o assunto, ainda que consideremos apenas a produção brasileira em dissertações, teses, artigos e livros. Esta é apenas uma lista de sugestões, a minha lista, uma lista parcial, sem dúvida. Outros especialistas teriam uma lista diferente, com modificações aqui e ali, especialmente inclusões. Eu mesmo incluiria outros trabalhos importantes, se não fosse a necessidade de manter esse guia dentro de certos limites de brevidade e racionalidade, renunciando a qualquer pretensão de uma listagem exaustiva sobre a temática. No entanto, no meu ponto de vista, as obras aqui citadas, 15 livros e 1 artigo, não deveriam ficar de fora de qualquer levantamento inicial do trabalho com gêneros no Brasil.


Dois critérios orientaram a seleção das obras aqui incluídas: primeiro, foram selecionadas obras disponíveis no mercado, para compra, ou acessíveis para download gratuito na web, quando for o caso. Segundo, a lista propositalmente se restringe a indicações em língua portuguesa.

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Linguagem e línguas: política, ideologia e emoção

Linguagem e línguas: política, ideologia e emoção

Geopolítica, geolinguística e terminologia

 

As línguas se assemelham a esponjas. Elas absorvem palavras para preencher lacunas. Não há idiomas “puros”. Eles são todos híbridos, misturados. As palavras de um idioma x ingressam no idioma como “empréstimos”; nunca são “devolvidas” e, por isso, o termo neologismo procede. Algumas se enraízam enquanto outras são descartadas1. O interessante aqui é que os próprios falantes não têm controle nem plena consciência do fenômeno. Um(a) usuário(a) ouve ou lê determinada palavra estrangeira e, na maior parte das instâncias, ele ou ela inconscientemente a repete ou a escreve.  Assim o vocábulo é lançado em outros terrenos. A única intervenção possível por parte dos usuários, especialmente gramáticos, filólogos, lexicógrafos, é a fixação da ortografia e o registro (ou não) dos neologismos em vocabulários, glossários e dicionários.


Os idiomas funcionam como bandeiras (Rajagopalan, 2002, 2004). Na verdade, os idiomas nada fazem. São os usuários que se apropriam da linguagem com o intuito de convencer, persuadir e manipular. Diria que em todos os países os políticos agitam bandeiras para fins eleitoreiros.

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Língua Portuguesa: Vírgula sem cara de interrogação

Língua Portuguesa: Vírgula sem cara de interrogação

 Os diferentes usos da vírgula

 

 


Vamos pensar nos diferentes sentidos das frases abaixo:

  1. Não, espere! / Não espere!
  2. Aceito, obrigado. / Aceito obrigado.
  3. Isso só, ele resolve. / Isso, só ele resolve.
  4. Esse, juiz, é corrupto. / Esse juiz é corrupto.
  5. Vamos perder, nada foi resolvido. / Vamos perder nada, foi resolvido.
  6. “Não queremos saber!” / “Não, queremos saber!”
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O que faz um profissional de Letras?

O que faz um profissional de Letras?

LETRAS: profissão e carreira

 

Não se pode avaliar a utilidade de uma profissional usando critérios de outras que não sejam compatíveis com ela. Assim, não podemos comparar o curso de Computação com o de Letras. Mas podemos avaliar o curso de Letras considerando o curso de Computação. Explico-me: o profissional de computação, em algum momento de sua vida, recebeu a contribuição direta ou indireta do profissional de Letras. Porque ele teve de aprender a ler e a escrever. Por outro lado, como profissionais de Letras, contamos com a contribuição de diversos profissionais em vários aspectos de nossa vida. Seja como for, a presença da língua/linguagem em praticamente todos os atos humanos torna o profissional de Letras presente em praticamente todos esses atos. Busco aqui definir o que faz afinal um profissional de Letras.


Este texto é constituído em larga medida pelo discurso de paraninfo que fiz na cerimônia de formatura da turma de Letras 2016/2 da Universidade Católica de Pelotas. Para deixar bem claro qual meu principal interlocutor, os formandos, assim como pessoas que desejem se formar em Letras, mantenho aqui os aspectos relevantes da relação enunciativa em que estive envolvido. Sem prejuízo de minha intenção de me dirigir a outros interlocutores possíveis neste novo gênero e nesta nova relação enunciativa, ou situação de interlocução.

 

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Língua portuguesa: escrever bem é escrever simples

Língua portuguesa: escrever bem é escrever simples

“Possuir” e outros sintomas de hipercorreção


Tragédia da educação linguística no Brasil


A história da educação linguística do Brasil é uma tragédia em muitos, longos e dolorosos atos. O acesso ao letramento nunca foi democrático nem democratizado, tal como nunca foi o acesso a todos os demais bens e direitos, reservados e protegidos com garras e dentes pelo 1% de sempre.

 

Ao lançar em 2017 uma nova edição atualizada de seu livro clássico Linguagem e escola: uma perspectiva social, publicado pela primeira vez em 1986, a grande educadora Magda Soares pergunta, na apresentação:
Magda Soares

 

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Aulas de português

Aulas de português

Multimodalidade e "poder semiótico"

 

Para professores e pesquisadores que estão repensando as aulas de português na perspectiva de articular modos de produção de texto e fruição de leitura dos alunos, Textos multimodais precisa ser livro de cabeceira. Nele, Ana Elisa Ribeiro faz uma reflexão informada sobre o ensino da língua materna por meio de textos em que não se excluem, deliberadamente, fotos, ilustrações e gráficos. As investigações teorizam multimodalidade, leitura e infografia, mostrando três “casos com jeito de sugestões”, a saber: uma proposta de atividade de retextualização (do oral para o escrito), testes de escrita e leitura com alunos do 3° ano do ensino médio em duas escolas públicas e o comparativo de produção verbovisual entre uma criança de 8 anos e uma designer profissional. Os relatos das experiências da professora-autora em oito capítulos fazem do livro um retrato de como o ensino desconsidera a inclusão atrativa e interessante dos textos multimodais, que poderiam conectar, e muito, os estudantes às produções de circulação social como mapas, quadros, linhas do tempo, fluxogramas e narrativas.

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Cinco passos para produzir um artigo científico de qualidade

Cinco passos para produzir um artigo científico de qualidade

Como produzir um artigo científico relevante na graduação e na pós-graduação

 

artigo científico é hoje o gênero textual mais conceituado na divulgação do saber acadêmico, além de ter se tornado um meio de assegurar o espaço profissional do pesquisador. Esse espaço vem se ampliando e abraçando também os graduandos¹, que têm sentido a necessidade das práticas da escrita acadêmica para além da obtenção de nota na avaliação de disciplinas (uma publicação pode ser critério para classificação na obtenção de bolsa de pesquisa, por exemplo). No entanto, nosso maior argumento para a relevância da escrita de artigo científico na graduação (e na pós-graduação) é que sua escrita pode contribuir para desenvolver capacidades linguageiras no discente, que poderão ser mobilizadas em outras situações acadêmicas. Tal argumento se baseia na tese do gênero textual/discursivo enquanto instrumento psicológico (no sentido vigotskiano do termo), desenvolvida por Bernard Schneuwly, pesquisador da Universidade de Genebra. Assim, não importa se o discente irá ou não, de fato, precisar escrever um artigo científico em sua vida acadêmica, mas sim as capacidades linguageiras desenvolvidas ao se trabalhar a produção escrita desse gênero e as operações envolvidas na produção de linguagemsintetizarrelacionar ideiasconcluir, fazer escolhas lexicais adequadas ao objetivo que se tem, fazer escolhas temáticas adequadas ao público-alvo e local de publicação, seleção dos conteúdos, dentre inúmeras outras. Além disso, o artigo científico também faz interface com outros gêneros da esfera acadêmica, tais como o resumo, a resenha, o projeto de pesquisa, a dissertação, a tese, além do seminário e da comunicação oral.


Vamos, então, a algumas dicas básicas para quem quer escrever um artigo científico. A enumeração das dicas visa facilitar alguns esclarecimentos sobre o processo como um todo, não reflete uma linearidade do processo de escrita.

1. O artigo final não conterá tudo o que você leu, pesquisou e escreveu. 

processo da escrita do artigo científico pode ser desmembrado em três instâncias que devem ser compreendidas como inerentes a esse processo. Inicialmente, a prescrição (ou a autoprescrição) do que lhe foi solicitado: se a escrita do artigo for a avaliação de uma disciplina, é importante considerar também as instruções de seu professor. Se você pretende escrever para publicar em uma revista, verifique as normas da revista para saber se seu trabalho será aceito, tanto em relação à temática, quanto ao número de páginas ou de seu papel social, ou seja, aluno de graduação, de pós-graduação etc. Em segundo lugar, ter em mente que boa parte do que você pesquisar pode não ser utilizado na versão final, e (boa) parte do que você escrever poderá ser excluído de seu texto final. Exemplifiquemos esse processo com a escrita do objetivo. Sua definição não é feita de forma mediata e no início do processo, ele irá se modificar conforme seu trabalho de pesquisa e de escrita for se materializando. Entenda que esse processo, que não aparece na versão final, é comum a todo escritor (não só aos acadêmicos). Compreender isso fará dessa “etapa invisível” um processo riquíssimo de aprendizagem em sua caminhada para tornar-se escritor de artigo científico, ou seja, das escolhas que você precisou fazer e de outras que você deixou de fazer. Por fim, o trabalho final, já realizado, é a versão final de seu texto, encaminhada ou aceita para publicação.

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Cursos de Letras no Brasil

Cursos de Letras no Brasil

Formados em Letras fazem o quê?

A pergunta pode parecer boba, mas não é. Fazia algum tempo que eu desejava me aproximar desse assunto em nosso blog, quando tive a atenção despertada por comentários feitos em grupos de discussão, em linhas do tempo no Facebook e por relatos de formadores de professores de língua[s] e literatura[s] em nível de graduação: na área de Letras, há grande desestímulo à carreira docente, muito por conta das duras condições de trabalho e da injustificadamente baixa remuneração dos profissionais formados nos cursos de Letras que se dispõem a atuar na educação básica. Até mesmo aqueles que seguem para o mestrado e o doutorado em Letras muitas vezes afirmam não serem reconhecidos em seus esforços de formação profissional enquanto não conseguem postos de trabalho no funcionalismo público federal, claro, com as exceções de praxe daqueles que conseguem postos de trabalho em algumas instituições privadas que invistam em pesquisa e ofereçam planos de carreira minimamente compensadores.


Celso Ferrarezi Jr.
 me contou, tempos atrás, a história do carteiro que atende a rua em que ele mora em Alfenas, MG. O carteiro, formado em História, encontrou mais estabilidade e segurança em ser funcionário concursado dos Correios do que no magistério municipal ou estadual; mais segurança como carteiro do que em assumir posto como professor na rede oficial de educação básica no município em que mora. Nenhum problema com ser carteiro, nenhuma crítica à escolha individual de qualquer profissão. A questão é o desperdício de tempo e de recursos, o investimento fraudado, o plano profissional abandonado pela crônica falta de investimento oficial em educação, não só em Minas Gerais, mas no Brasil como um todo.

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(Falta de) tempo para a educação literária escolar

(Falta de) tempo para a educação literária escolar

A importância da educação literária no cotidiano escolar

 

Um dos problemas mais difíceis enfrentados pela escola no quesito ‘educação literária’ é a insuficiência de tempo para garantir a leitura e a discussão de textos literários, e para se pensar a produção de textos relacionados às experiências literárias: sejam memórias de leitor, sejam textos críticos, sejam, por fim, trabalhos ficcionais. Se acrescentarmos outro ponto que venho defendendo veementemente – a saber, a necessidade de vivenciar o sistema literário de modo mais amplo –, o tempo nos espreme ainda mais.


Como garantir, com duas aulas (e às vezes uma…) de literatura por semana, condições de frequentar lançamentos, feiras, rodas de conversa, palestras de especialistas, exposições temáticas e acervos permanentes? Como criar e participar de clubes de leitura, como realizar entrevistas com agentes da cadeia produtiva do livro, como acompanhar polêmicas em periódicos especializados, como organizar e participar de saraus? Como entender e tomar parte em “disputas” ou “batalhas” poéticas – do repente ao rap? Como vivenciar o cotidiano de uma biblioteca institucional e de uma biblioteca comunitária, e entender a importância desses diferentes espaços para o acesso aos textos, para a mediação cultural, para a preservação da memória, para a pesquisa especializada? Como explorar as potencialidades oferecidas pelos novos suportes e recursos digitais de maneira crítica, colaborativa e criativa?

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Por que a sociedade precisa de professores e professoras (bem)formados em Letras?

Por que a sociedade precisa de professores e professoras (bem)formados em Letras?

Estudo da língua e fenômenos linguísticos

 

A reflexão sobre as línguas não é nova, é milenar, mas seu estudo cientificamente embasado é extremamente jovem, acaba de completar um século. Sobre as línguas, e sobre a língua portuguesa, em particular, reina ainda muita ignorância. Sabe-se bastante sobre a estrutura gramatical da língua, mas pouco sobre os fenômenos sociais de uso dessa língua. Estes clamam por explicações bem fundamentadas na ciência, e não apenas guiadas por juízos de valor subjetivos e dogmáticos.


Apesar de que muitos se queixam da dificuldade de aprender as regras da gramática normativa da língua portuguesa e até, por causa disso, pensam que “não sabem” português, o maior problema nessa área é a ignorância sobre as funções sociais da língua. Por incrível que pareça, nem os intelectuais e profissionais da mídia de maior destaque na sociedade brasileira demonstram compreender efetivamente o que é e como funciona uma língua. Talvez por isso mesmo é que Sírio Possenti diz que esses profissionais leem as gramáticas como fundamentalistas leem seus livros sagrados, ou seja, procurando identificar neles os erros dos infiéis, a fim de condená-los ao fogo do inferno.

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Parem o que estão fazendo e leiam esse livro

Parem o que estão fazendo e leiam esse livro

História sociopolítica da língua portuguesa

Atravessei ontem a metade de História sociopolítica da língua portuguesa, de Carlos Faraco. Cedo aqui à vontade de dizer a tod@s que se interessam pelos temas língua, cultura e relações de dominação que parem o que estão fazendo e leiam esse livro. É obra de síntese, de grande fôlego, escrita por um autor erudito e que domina seu ofício.


Não consigo ler o livro, obra de síntese, repito, sem pensar em suas condições de produção. 


História sociopolítica da língua portuguesa
não é só obra de síntese; é também obra de posicionamento em assuntos de política linguística. Por isso Faraco solta, com clareza cristalina, verdadeiros e necessários petardos. Temos um desses tantos petardos nas páginas 214 e 215, mas...

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Para que semiótica nos cursos de Letras?

Para que semiótica nos cursos de Letras?

O estudo da semiótica nos cursos de Letras

 

Vivemos em um mundo em que nos ocupamos não somente das palavras, mas também de imagens, de sons, de movimentos, de sentidos táteis. Frequentemente nos perguntamos sobre o sentido de cultivar as palavras e pouco relacionamos essa pergunta com o bombardeio sensorial que se apresenta não somente nas mídias, mas na música, nas artes, no esporte, nas representações culturais, nos rituais religiosos, no cotidiano.


Em um universo de compreensão tão complexa quanto o nosso, o profissional de Letras tem um papel essencial de apresentar ferramentas capazes de mobilizar recursos cognitivos do aluno para que ele passe a enxergar com lupa o mundo em que está inserido.

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Dez razões para usar as tecnologias digitais em sala de aula

Dez razões para usar as tecnologias digitais em sala de aula

O uso das tecnologias digitais em sala de aula


As tecnologias digitais estão definitivamente integradas em nossas vidas e ninguém mais tem dúvidas da necessidade de sua integração em nossas práticas pedagógicas. No livro Letramentos digitais, Dudeney, Hockly e Pegrum (2016) defendem que professores e alunos necessitam adquirir quatro tipos de letramento digital. O primeiro está relacionado ao uso da linguagem para comunicação, incluindo a utilização de celulares; o segundo visa tanto à busca quanto à filtragem de informação; o terceiro diz respeito às conexões como a participação em redes sociais, entre outros tipos de conexão; e o último inclui o (re-)desenho ou remix, como por exemplo, usar editor de imagens, inserir voz ou legendas em um filme com outro sentido, fazer montagens de textos e imagens etc.


Muitos são os motivos para usarmos as tecnologias digitais em sala de aula e o principal deles, em minha opinião, é o fato de fazerem parte de nossa vida cotidiana, pois os computadores, tabletes e celulares conectados à Internet se tornaram uma extensão de nós mesmos. A sala de aula não pode ignorar esses novos hábitos mediados pela Internet. 

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