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Ensinar língua portuguesa é ensinar metalinguagem?

textualidade

Ser professor no Brasil é um desafio

 

Ser professor no Brasil é um desafio. Num país marcado por gigantescas diferenças socioeconômicas, vemos o sistema educacional agonizar desde os tempos imperiais.

De tempos em tempos, propostas pedagógicas, que mal saem do papel, são elaboradas nos gabinetes e impostas àqueles que fazem a educação acontecer de fato. Infelizmente, apesar da base teórica em que se alicerçam, essas propostas não têm resolvido as inúmeras mazelas incrustadas em nosso sistema educacional, especialmente, em relação ao ensino de língua materna, cujas diretrizes mal compreendidas têm deixado muitos professores inseguros sobre como ensinar determinados conteúdos.

 

“diretrizes mal compreendidas têm deixado muitos professores inseguros”

 

Diante dessa realidade, muitas reflexões e questionamentos são necessários para que se busque uma prática pedagógica que de fato propicie a aprendizagem essencial à inserção social do aluno. O que pode e deve ser feito para que isso realmente aconteça? 

Em primeiro lugar, faz-se necessário reformular o currículo dos cursos de licenciatura em Letras, a fim de formar professores capazes de ensinar língua portuguesa da maneira como é proposto pelos documentos parametrizadores da educação nacional que prescrevem o desenvolvimento de habilidades discursivas e linguísticas.

 

“faz-se necessário reformular o currículo dos cursos de licenciatura em Letras”

 

Em segundo lugar, vale ressaltar que o desenvolvimento dessas habilidades requer muito mais que o ensino da metalinguagem que tem sido priorizado tradicionalmente pela maioria das escolas brasileiras. Embora seja inegável a importância da gramática para a aquisição das competências discursivas, não é a memorização de nomenclaturas que propicia a compreensão e produção de textos, mas sim a reflexão sobre o efeito de sentido dos elementos linguísticos.

Sendo assim, para oferecer um ensino adequado ao desenvolvimento discursivo e linguístico, além de dominar os conhecimentos inerentes à gramática da língua, o professor precisa dominar também conhecimentos teórico-metodológicos que possibilitem implementar ações que conduzam à reflexão sobre os elementos constituintes da gramática da língua, tal como propõem, entre outros teóricos, Antunes (2003) e Marcuschi (2008).

Corroborando esses autores, defendemos o ensino da língua a partir dos gêneros textuais, de modo a explorar tanto o conteúdo temático, quanto o estilo de linguagem e a construção composicional, a fim de possibilitar ao aluno refletir sobre a língua, não apenas como um conjunto de regras, mas sobretudo como instrumento de interação social, cuja gramática deve estar a serviço de sua compreensão.

 

“defendemos o ensino da língua a partir dos gêneros textuais”

 

Desse modo, será possível propiciar ao aluno a competência de usar a gramática em função da compreensão e produção de textos significativos para sua vida.

Além dos requisitos já apontados, também é necessário que o professor seja um bom leitor, não só de textos literários, mas também dos diversos gêneros que circulam na sociedade, incluindo, entre outros, os do campo da filosofia, da psicologia e da sociologia, uma vez que ensinar língua materna significa ensinar a compreender e agir no mundo, o que exige conhecimentos diversos que são adquiridos por meio da leitura.

Somente assim será possível vislumbrar um ensino de língua comprometido com a emancipação do sujeito que, por meio da linguagem, compreende o mundo em que vive e a toma como forma de ação, do modo como propõe Ducrot (1987), ou seja, um sujeito que interage por meio da fala ou da escrita, lendo, argumentando e posicionando-se em defesa de uma sociedade mais justa.

 

“é necessário que o professor seja um bom leitor, não só de textos literários, mas também dos diversos gêneros que circulam na sociedade”

 

Desta forma, acreditamos que o ensino de língua portuguesa atingirá tanto a dimensão discursiva quanto a linguística e contribuirá para inserir de fato o aluno na sociedade e diminuir as desigualdades.

No entanto, tudo isso demanda investimentos na formação e na valorização do professor, como também em material pedagógico de qualidade, o que, infelizmente, muito pouco tem ocorrido em nosso país.

Cabe, portanto, à sociedade brasileira, representada pelos poderes constituídos, compreender que só é possível perseguir o desenvolvimento real se se investir em educação de qualidade, tanto para o filho do empresário, quanto para o filho do operário, uma vez que, somente assim, o país poderá contar com pessoas capazes de pensar, de interagir, de se respeitarem e de agirem em função do bem comum.

 

 

 

 

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