Blog da Parábola Editorial

“Não sei falar português!”

“Não sei falar português!”

Guia básico do português brasileiro

A Parábola Editorial é uma editora comprometida, desde sua fundação, com a língua portuguesa do Brasil, com o português brasileiro.

Um pouco pelo fato de Marcos Bagno ter figurado entre os três sócios originais da casa [na companhia de Andréia Custódio e Marcos Marcionilo] e de ter continuado como autor e “sócio afetivo” depois de sua saída da sociedade, ainda em 2002; um pouco pelas inquietações teóricas do editor e muito pelo fato de a linguística brasileira, depois de mais de cinquenta anos de pesquisa [a linguística é matéria universitária desde 1962 entre nós], estar a ponto de dar frutos maduros de reflexão sobre nossa língua desde um ponto de vista teórico que não se pode e não se deve mais ignorar.

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Gêneros textuais e ensino

Gêneros textuais e ensino
É possível praticar o trabalho com gêneros textuais em sala de aula?

 Por Luís Antônio Marcuschi

Tendo em vista que todos os textos se manifestam sempre num ou noutro Gênero textual, um maior conhecimento do funcionamento dos gêneros textuais é importante tanto para a produção como para a compreensão. Em certo sentido, é esta ideia básica que se acha no centro dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), quando sugerem que o trabalho com o texto deve ser feito na base dos gêneros, sejam eles orais ou escritos. [E esta é também a proposta central dos ensaios da coletânea reeditada pela Parábola Editorial (2010), Gêneros textuais & ensino, que pretende] mostrar como analisar e tratar alguns dos gêneros mais praticados nos diversos meios de comunicação.

 

As observações teóricas expostas não só visam esclarecer conceitos como também apontar a diversidade de possibilidades de observação dos gêneros textuais. Por certo, não estamos aqui em condições de nos dedicar a todos os problemas envolvidos, mas é possível indicar alguns. Em especial, seria bom ter em mente a questão da relação oralidade e escrita no contexto dos gêneros textuais, pois, como sabemos, os gêneros distribuem-se pelas duas modalidades num contínuo, desde os mais informais aos mais formais e em todos os contextos e situações da vida cotidiana. Mas há alguns gêneros que só são recebidos na forma oral, apesar de terem sido produzidos originalmente na forma escrita, como o caso das notícias de televisão ou rádio. Ouvimos aquelas notícias, mas elas foram escritas e são lidas (oralizadas) pelo apresentador ou locutor.

 

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Coesão e coerência são sempre bem-vindas: passos para estruturar bem o texto

Coesão e coerência são sempre bem-vindas: passos para estruturar bem o texto
A importância de coesão e coerência para escrever um texto relevante

 

É consensual o princípio de que um conjunto aleatório de palavras ou mesmo de frases não constitui um texto e, portanto, não pode funcionar como ação de linguagem. Um conjunto de palavras, para ser um texto, para ser interpretável e, assim, poder funcionar como uma atividade de linguagem, precisa apresentar algumas propriedades, ou seja, estar provido de algumas características específicas, fundamentais para a expressão dos sentidos e das intenções pretendidos. Entre tais propriedades, destacam-se coesão e coerência.

 

A primeira tem a ver com a articulação, ou seja, com os nexos criados entre os vários segmentos do texto, de modo a prover o texto da necessária continuidade, que, por sua vez, integrando esses vários segmentos, promove a unidade semântica que torna o texto interpretável. A segunda, isto é, a coerência, tem a ver, exatamente, com essa ‘unidade semântica’ que resulta daquela continuidade, fruto dos diferentes elos ou nexos criados e sinalizados.

 

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Introdução à linguística funcional: 10 conceitos básicos

Introdução à linguística funcional: 10 conceitos básicos
Mariangela Rios de Oliveira, coorganizadora de Linguística funcional: teoria e prática, explica o que é linguística funcional

 

O funcionalismo linguístico contemporâneo difere das abordagens formalistas — estruturalismo e gerativismo — primeiro por conceber a linguagem como um instrumento de interação social e segundo porque seu interesse de investigação linguística vai além da estrutura gramatical, buscando no contexto discursivo a motivação para os fatos da língua.

 

A abordagem funcionalista procura explicar as regularidades observadas no uso interativo da língua, analisando as condições discursivas em que se verifica esse uso. Os domínios da sintaxe, da semântica e da pragmática são relacionados e interdependentes. Ao lado da descrição sintática, cabe investigar as circunstâncias discursivas que envolvem as estruturas linguísticas e seus contextos específicos de uso.

 

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Sintaxe e semântica: torne-as suas aliadas

Sintaxe e semântica: torne-as suas aliadas
Reducionismos no estudo de sintaxe e semântica

 

Em geral, os estudos sobre as questões linguísticas na escola costumam reduzir demais os fatos – lexicais ou gramaticais –, tornando-os simplistas e, muitas vezes, falseados. Essa redução acontece de forma muito clara quando se trata de explorar as áreas da sintaxe e semântica. Comumente, as explicações se restringem a descrições abreviadas dos fatos, com ênfase na nomenclatura atribuída a eles. Além disso, tais fatos também sofrem um corte, limitando o alcance de suas funções na compreensão dos sentidos que se pretende expressar em situações reais da interlocução.

 

Por exemplo: nos programas escolares é comum que o estudo da sintaxe se restrinja às normas da concordância verbo-nominal. No que tange à questão da ‘colocação’ das palavras na sequência da frase, outro ponto da sintaxe, o tópico que tem merecido atenção se esgota no estudo da colocação dos pronomes, se vem antes, no meio ou depois do verbo. É comum, ainda, que o estudo da semântica se restrinja a umas poucas atividades em torno de sinônimos e de antônimos, com pouca consideração à condição polissêmica das palavras, ao uso generalizado e tão produtivo das metáforas e da metonímia. Nem mesmo os textos literários estimulam um estudo da semântica mais significativo.

 

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Como as linguagens digitais mudam o currículo escolar?

Como as linguagens digitais mudam o currículo escolar?
Roxane Rojo fala sobre a importância da compreensão das linguagens digitais no currículo escolar

 

No vídeo abaixo, Roxane Rojo participa do Leitura Digital, programa de experimentações de novas práticas de leitura digital em sala de aula produzido por Guten Educação - start-up voltada para educação com objetivo de estimular jovens ao hábito de leitura.

 

 

No vídeo, Roxane discorre sobre as características e principais diferenças entre o currículo tradicional (estabelecido) e o webcurrículo, além dos caminhos para os novos letramentos.

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O que é linguística?

O que é linguística?
Linguística, segundo Marcos Bagno

 

A linguística é a ciência que estuda a linguagem humana em geral e as línguas humanas particulares. Esse movimento que oscila entre o geral e o particular se explica de modo fácil: como a espécie humana é uma só, dotada dos mesmos recursos cognitivos e das mesmas configurações fisiológicas, e obrigada a resolver os mesmos problemas de representação/expressão da experiência/conhecimento, é mais do que seguro apostar que existam traços comuns a todas as línguas humanas – e de fato existem.

 

Por outro lado, como os diferentes grupos humanos vivem em ambientes ecológicos diferentes, em climas diferentes, tendo de se valer de recursos naturais diferentes e, principalmente, constituem culturas diferentes, cada língua humana deve apresentar características próprias, específicas, peculiares – e de fato apresentam.

 

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História da língua portuguesa em resumo: do período românico ao século XVI

História da língua portuguesa em resumo: do período românico ao século XVI
Um pouco da história da língua portuguesa

 

A língua que designamos hoje pelo nome de “português” é o desdobramento histórico dos falares de origem latina que se desenvolveram no noroeste da Península Ibérica, numa área que abrange atualmente o norte de Portugal e a Galiza (região autônoma da Espanha).

 

Os romanos ocuparam aquela região tardiamente (só por volta do século I a.C.). Essa tardia romanização e implantação do latim deram sobrevida ao uso das línguas pré-romanas daquela área, o que veio a influenciar o modo como o latim foi falado ali.

 

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10 Estrangeirismos irresistíveis sem os quais não vivemos mais

10 Estrangeirismos irresistíveis sem os quais não vivemos mais
Estrangeirismos: ameaça ou acréscimo da língua portuguesa?

 

Estava me preparando para dormir. Peguei meu tablet para dar uma espiada e encontrei todos os meus amigos online. Começamos a conversar e resolvemos nos encontrar no shopping para comer uma pizza. Corri para o meu armário, vesti um jeans, passei um batom e fui… Chegando no restaurante, encontrei a galera, fizemos check-in e tiramos uma selfie para registrar o momento. Comemos, conversamos, chamamos o garçom, pagamos a conta e fomos dançar. No fim, eu, que ia dormir, acabei tendo uma noite incrível.

 

1. Batom – [do francês - bâton]

2. Check-in – [do inglês - check-in]

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Os 6 livros definitivos sobre análise do discurso

Os 6 livros definitivos sobre análise do discurso
Perguntamos ao especialista Sírio Possenti quais os livros sobre análise do discurso que ele considera indispensáveis

 

Segundo o Prof. Sírio Possenti é quase impossível organizar um ranking dos principais livros em análise do discurso, especialmente restringir duramente seu número.

 

Primeiro, um recorte: sem fazer juízo sobre as teorias, não incluo a semiótica e os estudos bakhtinianos, porque são teorias que existiram ou existiriam independentemente da análise do discurso.

 

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Gêneros digitais por quem é autoridade no assunto: uma abordagem bakhtiniana

Gêneros digitais por quem é autoridade no assunto: uma abordagem bakhtiniana
Como identificar os gêneros digitais?

 

Podemos caracterizar os enunciados que circulam em mídia digital (acarretando novos letramentos) como gêneros? Essa é a pergunta que Roxane Rojo direciona a nós, tendo como enfoque os gêneros digitais. A autora divide a discussão sobre gêneros em dois tipos: gêneros de texto e gêneros de discurso.

 

Pensando na abordagem bakhtiniana, podemos aplicar esse método sociológico de análise quando tratamos de tecnologias digitais. Essa técnica de análise pode ser empregada no estudo do discurso online, da multimodalidade digital e dos formatos de hipertexto, multimídia e hipermídia, por exemplo.

 

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10 motivos para estudar a linguagem online

10 motivos para estudar a linguagem online
Embora a pesquisa online focada na linguagem tenha gradualmente ganhado força, ainda há muitas questões não exploradas

 

A internet e as novas mídias que surgem a partir dela produziram mudanças na linguagem e em seu uso de um modo sem precedentes. Atividades cotidianas passam a se mover mais rapidamente, novas mídias fornecem diferentes relações entre pessoas e tecnologias.

 

David Barton e Carmen Lee apresentam dez razões para estudar a linguagem online e compreender a linguagem:

 

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LINGUA[GEM]

LINGUA[GEM]

Todos os seres humanos, e muito caracteristicamente nós, os profissionais do livro, vivemos na lingua[gem], da lingua[gem] e para a lingua[gem]…

Essa é uma realidade que pouco se enxerga, porque a lingua[gem] é esse grande todo que nos envolve, esse oceano no qual estamos desde sempre nos movendo, essa especificidade humana que desenvolvemos claramente sem perceber: quando vemos, ainda na infância, estamos falando articulada e complexamente. Com o passar do tempo e com a frequência à escola, nos vemos escrevendo, calculando, e depois passando a fazer ciências, literaturas, poesia…

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