Blog da Parábola Editorial

Do trabalho infantil à leitura

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O Príncipe do Reino do Pé-de-Manga

Ferrarezi

Criança pobre no interior de São Paulo, fui apresentado ao trabalho infantil aos 5 anos. A vida não era fácil. De domingo a sexta-feira, estudava pela manhã, trabalhava à tarde na construção civil ou na enxada e, à noite, cuidava de uma horta caseira que nos ajudava a melhorar o arroz ou o macarrão, muitas vezes, o prato único do dia. Meu momento de descanso era o sábado à tarde, dia em que meus pais dormiam para se aliviar da semana, dia em que não havia ninguém para me mandar fazer algo, dia de subir no pé-de-manga.

A mangueira que havia no fundo de nosso quintal era meu lugar de paz. Nesses dias de paz, eu nela subia até o “olho”, aquele ponto limite entre o mundo terreno e o mundo celestial – ponto mágico que toda criança que teve infância interiorana conhece – e em que é possível colocar a cabeça para fora das folhas mais altas da árvore. Havia um galho especialmente feito pelo Criador para eu sentar e olhar os detalhes do mundo: era meu trono de príncipe – o príncipe do Reino do Pé-de-Manga! Esse lugar onde eu me postava – senhor da Terra até onde meus olhos alcançavam – até já era liso, lustrado e limpo de tanto me sentar ali. E dali – só com a cabeça de fora – eu via os telhados da vizinhança, o horizonte que se estendia sobre um pasto enorme que subia – interminável! – num morro suave e se conectava com o céu bem diante de nosso bairro. Ali, eu aprendi que as folhas das mangueiras nascem levemente rosadas e, depois, vão ficando mais vermelhas para, finalmente, se tornarem magicamente verdes! Aprendi que as formigas que brigam ferozmente por um fiapo de manga eram iguais aos seres humanos brigando por fiapos de poder e sobre gafanhotos saltitantes que pulam aparentemente sem destino, mas que sabem bem o que vão destruir adiante. Me tornei “doutor” em telhas e em nuvens com formatos incompreensíveis que escondiam discos voadores e anjos da guarda que só eu podia ver. Me tornei íntimo conhecedor anônimo das histórias de vida que eu inventava para os passantes miúdos que se arrastavam sombrios e cansados pelas ruas ao redor, sumindo por detrás das casas e aparecendo novamente nos terrenos vazios para, uns passos adiante, tornar a sumir para sempre. Ali, aprendi a imaginar, sonhei meu mundo e construí minhas esperanças na segurança da solidão – até o iniciozinho da adolescência, quando tive de sair de casa para tentar a vida longe de meus pais. Dois anos depois da separação, “minha” mangueira foi cortada e uma casa fria foi construída no lugar. A despeito da tristeza, tudo bem: já não importava mais. Ela já fazia parte inseparável da minha alma e eu já estava longe demais para provar seu doce abraço semanal.

E foi depois de “cair no mundo” que descobri que todo mundo precisa de uma mangueira, de um trono, de um lugar de solidão – e isso com regularidade! Todo mundo precisa de um lugar de paz, de sonho e de imaginação para ficar a-sós-consigo no meio do mundo, olhando de cima cada detalhe e construindo cada momento da vida porvir, mesmo que essa vida nunca chegue, que seja só esperança, que seja só paixão. Foi então que descobri que os livros doravante seriam meu novo pé-de-manga, meu novo lugar de paz, meu novo posto avançado entre as nuvens, lugar em que construo meu pensamento mais profundo. Sim! É no mundo das nuvens que a mente é mais poderosa, pois é ali que o mundo não pesa sobre nossos ombros nem nos oprime! Descobri que as folhas dos livros eram tão aconchegantes quanto as folhas da minha mangueira e que eram folhas igualmente mágicas, que mudavam de cor com a luz dos meus olhos e com o carinho da minha respiração. Descobri o quanto os livros são aconchegantes e quanto há do mundo para descobrir neles. Ensinei isso a minha esposa e a meus filhos e cultivamos isso em casa até hoje. Mesmo que não seja de forma tão frequente quando desejaríamos, de vez em quando – pelo menos! – fugimos para o “olho da mangueira” nos escondendo a-sós-conosco em meio às folhas dos nossos livros. E quando me retiro hoje do mundo frio e estressante para o aconchego dos livros, sinto a mesma paz, a mesma curiosidade e o mesmo êxtase que sentia quando estava no “olho da mangueira”. Mas, quando fecho os livros e olho para os lados, me apavoro! Percebo que isso tudo tem sido roubado das pessoas pelas telas digitais!

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VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, NOSSA VELHA (DES)CONHECIDA

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Texto por: Thi Zilio 

 

 “Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?”

O trecho acima faz parte da crônica Pechada, de Luís Fernando Veríssimo. Nela, o autor apresenta uma situação bastante comum em inúmeras salas de aula: a chegada de um aluno de outro estado e a reação (não muito amistosa) dos colegas de sala.

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Cinco diretrizes para ensinar os alunos a escrever

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Francisco Eduardo Vieira (UFPB/PROLING/HGEL)

                  

         Do ensino fundamental ao universitário, todo/a professor/a de português busca aprimorar o domínio da escrita de seus alunos por meio das mais diferentes práticas de análise e produção de textos.

         As estratégias pedagógicas dos docentes costumam ser variadas, atendendo a uma gama também diversa de fatores como, por exemplo, o nível de letramento dos estudantes, os objetivos dos planos de aula e de curso, o gênero textual abordado e a relação com os outros eixos do ensino-aprendizagem de língua portuguesa – leitura, oralidade, gramática e literatura.

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ESQUEÇA A “LÓGICA” DA LÍNGUA!

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Marcos Bagno

Desde o surgimento da filosofia antiga na Grécia, circula na cultura ocidental o mito de que a língua se organiza numa gramática que seria um espelho da lógica que comanda os processamentos da mente/espírito/alma/razão. Desse modo, a gramática seria a “lógica” da língua, enquanto a lógica descreveria a “gramática” do pensamento. Essa concepção de língua e de mente como o espelho uma da outra, velha de 2.500 anos, se enraizou fundo e continua bastante viva até hoje, especialmente entre as pessoas que se esforçam por defender a “pureza” da língua contra os “abusos” e os “erros” cometidos pelos próprios falantes. Essas pessoas costumam argumentar que esses “abusos” e “erros” vão na contramão da “lógica da língua” que, supostamente, governa a gramática. Por exemplo, no enunciado “Descartes foi um dos filósofos que se ocupou do caráter universal da linguagem”, o verbo ocupar deveria estar no plural por motivos “lógicos”, o que se comprovaria com a inversão dos termos: “Um dos filósofos que se ocuparam do caráter universal da linguagem foi Descartes”. Não parece lógico? Só que não...

O grande equívoco dessa abordagem tradicional é acreditar que existe realmente uma identidade entre o funcionamento da língua e o funcionamento da mente. Querer encontrar na língua a mesma “lógica” que governa a mente é acreditar, em última instância, na tese de que “o homem é um animal racional”, formulada inicialmente por Aristóteles e repetida até hoje. Ora, essa suposta racionalidade do ser humano foi posta em cheque no início do século 20 pela psicanálise desenvolvida por Sigmund Freud (1856-1939), que enfatizou o papel fundamental do inconsciente no funcionamento da psique e nas ações concretas — desdobramentos mais recentes da neurociência e de outros campos de investigação empírica têm sugerido que mais de 90% das operações do nosso cérebro estão fora do nível da consciência.

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Produção textual na universidade

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O livro Produção textual na universidade, publicado em 2010, pela Parábola Editorial, nasceu no primeiro curso de “Redação Acadêmica” que ministrei, em 1994, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sobre princípios básicos de leitura e escritura no contexto universitário.

Ao longo de 25 anos, o curso original transformou-se em seminários, minicursos e palestras, recebendo alunos e audiências de áreas tão diferentes – jornalismo, geografia, educação, agronomia, além de literatura e linguística, estimulando minha investigação sobre como cada campo de conhecimento concebe a comunicação escrita. As descrições detalhadas de cada aula viraram o livro didático Redação acadêmica: princípios básicos (UFSM), com informações e dados de pesquisa sobre produção textual em diferentes culturas disciplinares. As aulas foram sendo refeitas e reorganizadas com base na experiência amealhada a cada edição do curso, tanto na UFSM como em outras instituições, e também com base na investigação sobre discurso acadêmico, realizada por Graciela Rabuske Hendges, minha coautora, e por mim, há mais de duas décadas, no Grupo de Pesquisa “Linguagem como Prática Social”.

Portanto, Produção textual na universidade resulta da atividade em ensino e investigação sobre o contexto (atividades sociais escritas, papéis e relações sociais entre leitores e escritores) e o texto (conteúdo, estilo e forma) de gêneros acadêmicos centrais para o debate da ciência. Este volume mantém quase o mesmo formato do material original, com a maravilhosa programação visual do João Luiz Roth, que entendeu a proposta pedagógica dos primeiros materiais didáticos. Além disso, a participação de Graciela foi fundamental para qualificar e incrementar os capítulos com dados atualizados de pesquisa sobre o discurso da ciência em diferentes áreas. Nossos exemplos ilustrativos permitem comparações entre exemplares do mesmo gênero acadêmico, em várias disciplinas, para que os leitores se sintam representados e convidados a buscar problemas e temas relevantes, revisar discussões atuais, refletir sobre conceitos em voga em seus próprios campos do conhecimento.

Sempre tomei por referência os desafios do meu próprio percurso de aprendizagem de escrita na vida – tenho 60 anos – e especialmente na ciência – 35 anos como docente na universidade. Também observei os desafios enfrentados por alunos e as diversas estratégias para vencê-los. Quis fazer um livro didático que não fosse uma preleção sobre “como se deve fazer”, mas antes um estímulo para escritores menos experientes questionarem e investigarem, buscarem informação sobre o modo como as pessoas interagem sendo leitores e escritores em sua disciplina específica, para atuarem cada vez mais centralmente, por meio da produção textual, na rede de produção de conhecimento acadêmico.

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Curso de Linguística Geral

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O Curso de Linguística Geral, de Ferdinand de Saussure, é nada menos do que um clássico da Linguística. Isso porque consiste em uma obra que exerceu, e continua a exercer, uma profunda influência não apenas nesse campo de conhecimento em que foi gestada, mas também fora de suas fronteiras. A força e o alcance das ideias contidas no Curso se impuseram, ora de modo mais explícito, ora de maneira mais subterrânea, tanto porque compreendem propostas e constatações inovadoras para os estudos linguísticos quanto porque representam a consolidação de um objeto de análise e de sua abordagem. Embora Saussure não tenha sido o único a conceber a língua e a Linguística de maneira diferente daquela em vigor entre os estudiosos dedicados ao método histórico-comparativo, entre o final do século XIX e o começo do século XX, no Curso de Linguística Geral os contornos e as definições desse objeto e dessa abordagem se encontram particularmente concentrados.

Desde sua publicação, começou a se estabelecer a ideia de que os fatos e os fenômenos a serem estudados pela Linguística não mais se resumiriam às mudanças das formas da língua através do tempo. Eles deveriam compreender, antes, as unidades linguísticas, as relações entre elas e as regras que permitem ou interditam suas combinações na constituição de unidades maiores e mais complexas, no interior de um sistema, num certo estado de uma sociedade. Se as ideias fundamentais do Curso de Linguística Geral já surpreendem, a coesão e a interdependência entre elas produzem ainda mais entusiasmo. À medida que se difunde o pensamento saussuriano, consolidam-se estas ideias: a língua é uma forma e não uma substância; ela funciona como um sistema; é um fato social; suas unidades valem menos pelo que são do que por suas relações de identidade e de diferença; o laço que une o significante ao significado de um signo é arbitrário; para o falante, não existe sucessão dos fatos da língua no tempo.

Cada um desses princípios implica fundamentalmente os demais e suas mútuas dependências constituem um sólido sistema conceitual. Foram a difusão e a conservação, mas também as modificações dessas ideias que fizeram do CLG uma obra clássica da Linguística. Seus postulados e noções se estabilizaram e passaram a constituir as entranhas dos estudos linguísticos de diversos modos, ao passo que diferentes atores e fenômenos, em tempos e espaços diversos, concorreram para alterar mais profunda ou mais superficialmente seus sentidos. Assim, como tende a ocorrer com os clássicos, o Curso de Linguística Geral dá provas de sua condição extraordinária tanto pelo que traz em si quanto pelo que proporciona a outrem.

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50 ferramentas digitais gratuitas para o ensino de inglês.

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O grupo de pesquisa Lalintec, que reúne pesquisadores da UFMG e do CEFET-MG, acaba de lançar seu primeiro e-book gratuito sobre ferramentas digitais: Mão na Massa: ferramentas para aprender e ensinar/Hands on: digital tools to learn and teach. Esse projeto em parceria com a Parábola conta com o apoio do CNPq e também foi aprovado pela Fapemig.

 

Mão na massa/Hands on reúne 50 ferramentas gratuitas, disponíveis na web e de fácil uso. Muitas delas não foram criadas com objetivo pedagógico, mas os autores perceberam suas potencialidades para uso educacional e para o ensino de inglês.

 

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PRECONCEITO LINGUÍSTICO – 20 ANOS DEPOIS

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Pouco depois de ter sido lançado, há exatos 20 anos, o livro Preconceito linguístico se tornou uma obra de referência na maioria dos cursos de Letras e Pedagogia do Brasil, além de outras áreas em que as questões de linguagem também são centrais, como o jornalismo, a fonoaudiologia, o serviço social etc. A própria noção de “preconceito linguístico”, até então restrita aos debates acadêmicos entre linguistas, ganhou espaço na mídia, no ambiente escolar, nos projetos de formação docente e em documentos oficiais de política educacional. Muitos livros didáticos de Língua Portuguesa passaram a incluir um capítulo ou uma seção sobre a discriminação social por meio da linguagem. Surgiu aos poucos uma percepção geral mais aguçada com relação a essa forma de exclusão social muito sutil e, por isso mesmo, perversa, até pelo fato de passar muitas vezes despercebida, diante de uma certa “naturalização” das noções de “falar errado” e “falar certo” que circulam na nossa cultura linguística. Preconceito linguístico mostra de forma clara e sem rodeios que essas noções são construções ideológicas, decorrem das dinâmicas socioculturais da sociedade brasileira, extremamente hierarquizada, umas das mais excludentes e desiguais do mundo. Na verdade, como diz Marcos Bagno, “o preconceito linguístico não existe: o que existe é um profundo preconceito social que usa a forma de falar das pessoas como desculpa para excluí-las dos bens e dos direitos que deveriam caber a elas”. Assim, o preconceito linguístico vem se juntar a tantas outras práticas de discriminação vigentes na sociedade como o racismo, o sexismo, a homofobia, ao chamado ódio de classe que se volta contra a maioria da população (pobre ou mesmo miserável), e às demais formas de violência simbólica que são exercidas contra a diversidade de opiniões, de crenças e de valores. A língua que uma pessoa fala é um dos componentes fundamentais de sua identidade individual e coletiva, nós somos o que falamos e falamos o que somos. Discriminar alguém por seu modo de falar é discriminar a pessoa naquilo que ela é, concretamente, em seu próprio corpo, e fere os princípios elementares da cidadania e da convivência democrática. Ao longo desses vinte anos, Bagno vêm recebendo mensagens de inúmeras pessoas que se reconhecem nas situações descritas no livro, pessoas de origem rural ou de camadas urbanas desfavorecidas que, tendo conseguido chegar ao ensino superior, encontraram em Preconceito linguístico os argumentos que buscavam para compreender as discriminações que sofriam e para criticá-las de forma bem fundamentada nos pressupostos da linguística e da sociologia da linguagem. Também têm sido muitos os depoimentos daquelas que, após a leitura do livro, se deram conta de suas próprias atitudes e práticas discriminatórias e passaram a compreender melhor a origem social e cultural do preconceito linguístico. Combater a discriminação pela linguagem não é, como muita gente desinformada supõe, defender um suposto “vale-tudo” no uso da língua, abandonar o ensino das formas prestigiadas de falar e escrever ou, pior, querer impor o uso das formas “erradas” como as únicas aceitáveis a partir de agora. As questões de educação linguística são muito mais complexas do que um binarismo fácil entre “sim” e “não” ou uma simples troca de “normas”. A multiplicidade dos usos da língua tem que ser respeitada, valorizada e defendida, e entre esses usos, evidentemente, estão, também, as formas de prestígio, faladas e escritas, que têm sido reservadas durante muito tempo a uma pequena parcela da população. Mas é esse também que causa tanto medo e apreensão, porque significa ampliar o acesso à cultura letrada num país injusto em que os bens e os direitos sociais têm sido reservados há séculos para muito pouca gente.

 

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Nurc - 50 anos

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Neste ano de 2019, a Linguística brasileira comemora os 50 anos de um dos seus mais significativos projetos – o NURC-Norma Linguística Urbana Culta. Para registrar e celebrar esse aniversário, a Parábola Editorial está lançando o livro NURC 50 anos: 1969-2019, organizado pelo Professor Miguel Oliveira Jr., atual presidente da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN).

A obra reúne artigos que recuperam a história do Projeto e fazem um balanço dos inúmeros estudos realizados a partir dele, estudos que contribuíram não só para um melhor conhecimento do português brasileiro, como também para a formação de novos pesquisadores.

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Entrevista com o autor Marcos Bagno.

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 OBJETO LÍNGUA – Inéditos & revisitados

 

- Por que o título Objeto Língua?

MB: A inspiração para o título vem de uma frase do Curso de Linguística Geral de Saussure que ficou muito famosa: “é o ponto de vista que cria o objeto”. É toda uma filosofia da ciência que está embutida nessas poucas palavras. Um geólogo trabalha diretamente com algo que ele pode pegar, tocar, medir, pesar e analisar fisicamente, enquanto um linguista não tem acesso direto à linguagem, “escondida” dentro do funcionamento do cérebro de cada pessoa. Nós somos temos acesso a esses “barulhos” que saem pela boca de um, entram pelo ouvido do outro e, por alguma razão fascinante, fazem sentido, “dizem” alguma coisa. Desse modo, o linguista precisa primeiro “construir” seu objeto de estudo, a língua, porque ela é de natureza completamente diferente de uma pedra, e só depois é que vai poder estudá-la. Assim, se “o ponto de vista cria o objeto”, são muitos os pontos de vista a partir dos quais é possível considerar a língua.

 

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LINGUÍSTICA E TRADIÇÃO GRAMATICAL

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QUER QUE EU TE EXPLICO?

 

Poucas pessoas têm ideia do que significa ser um linguista e, mesmo entre elas, muitas costumam achar que os linguistas “combatem” a tradição gramatical e são a favor do “vale-tudo” na língua. Essa é uma concepção distorcida. Seria o mesmo que dizer que o geólogo “defende” os terremotos e as erupções vulcânicas pelo simples fato de estudar esses fenômenos. O antropólogo que estuda as diversas convenções culturais relacionadas à sexualidade (que incluem a poligamia, o incesto, o celibato forçado, a castração, a infibulação etc.) não está “defendendo” nenhuma delas, mas apenas registrando e analisando sua existência, sejam elas consideradas “certas” ou “erradas” pelo código moral da sociedade a que ele mesmo pertence. 

 

Costumam achar que os linguistas “combatem” a tradição gramatical e são a favor do “vale-tudo” na língua

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5 livros para ler em 2019

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Já sabe quais são os melhores livros para você ler em 2019? É fundamental você reservar o  tempo necessário para a atualização e busca de novas perspectivas pedagógicas e enriquecer suas estratégias de ensino e aprendizagem.   

 

No artigo de hoje, separamos as melhores leituras para você intensificar os seus conhecimentos e orquestrar as melhores aulas em 2019. Confira! 

 

1. A linguística, o texto e o ensino da língua

O sucesso de qualquer empreendimento pedagógico depende de que os estudantes sejam aptos a ler e escrever com desenvoltura, competência a ser cultivada ao longo de toda a vida escolar.

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Como definir o tema do TCC em 5 dicas rápidas

Como definir o tema do TCC

 

 

Chegou o momento tão esperado por todos e temido por muitos: escrever o trabalho de conclusão de curso. O problema enfrentado por muitos é a indecisão na escolha do tema sobre o qual escrever. Está pass ando por esse momento? Então abriu o artigo certo. Listamos abaixo 5 dicas para ajudar você na definição do tema para a escrita do seu TCC. 

 

 

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3 dicas para montar a sua aula de português

3 dicas para montar sua aula

 

 

Professor(a), além de ensinar, você deseja surpreender os alunos com uma aula de português diferente que possa ajudá-los na fixação na matéria? Então confira abaixo 3 boas dicas.

 

 

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Variação Linguística – o que é, exemplos, dicas de leitura

Variação Linguística
É muito importante compreender a variação na língua. O entendimento da variação linguística evita o preconceito contra aqueles que falam diferentemente, além de nos proporcionar mais conhecimento e bagagem no que diz respeito a todos os aspectos da nossa história.

 

 

O que é variação linguística?

 

Como o nome já sugere, a variação linguística trata as mudanças da língua dentro do seu próprio sistema. A língua não é fixa, invariante, ela varia no decorrer de sua história, de sua localização social e cultural. Mesmo conhecer a “nomenclatura”, alguma vez na vida você já se deparou com variação, seja conversando com alguém, assistindo a programas de TV ou lendo textos regionais.

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Uma crônica de Natal

Uma crônica de Natal

 

Quando minha mãe morreu, ela tinha perdido totalmente a razão. Como se diz "no popular", ela enlouqueceu. A primeira grande crise de lucidez que ela teve foi no Natal, mais precisamente, na noite do dia 24. Aquele ano foi atípico. Eu ainda morava em Rondônia e, na Universidade, estávamos cumprindo calendário de greve. Eu aplicaria avaliações até o dia 23 de dezembro. E – é claro – não daria tempo de sair de Rondônia de carro com a família no dia 24 de manhã para estar no dia 24 à noite em Campinas. Além disso, estávamos apertados nas finanças. Eu tinha explicado tudo isso para a família, mas minha mãe não se conformou. Minha irmã me contou que minha mãe se sentou no sofá às 18 horas e ficou olhando fixamente para a porta da sala até uma da manhã, esperando que a porta se abrisse e o filho entrasse por ela com a nora e os netos. Mas, isso não aconteceu. Em janeiro, tive que fazer uma viagem de emergência – agora de avião – para buscar minha mãe. Ela havia piorado, tinha caído e se machucado, e viria a falecer 40 dias depois. O último Natal de minha mãe, mesmo que ela já estivesse doente da razão, não foi esperando um presente caro nem desejando uma ceia farta, foi esperando a porta da sala se abrir para que nós fôssemos o seu presente.

 

Demorei muito para entender isso. Demorei muito para entender que os Reis Magos é que ganharam um presente naquela noite na pobre estrebaria de Belém e não o Menino Jesus. Demorei muito para entender por que Deus mandou que chamassem Seu Filho de Emanuel. "Emanuel" significa "Deus conosco". E eu nunca havia parado para pensar que "Deus conosco" é diferente de "Deus comigo". Jesus é a presença de Deus com pessoas que dão sua presença às outras. O Natal se realiza em um "nós" e não em um "eu".

 

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Os 5 livros campeões de vendas de 2018

Os 5 livros campeões de vendas de 2018

 

Quando um ano termina e com a chegada de um ano novo, é costume muitas pessoas e empresas fazerem um balanço e avançarem perspectivas. Nós, da Parábola Editorial, resolvemos fazer isso também. Listamos abaixo os 5 melhores livros de 2018 na perspectiva dos leitores e leitoras. Vale a pena conferir a dica quente e ainda adquirir o seu, caso ainda não os tenha lido. 

 

 

1 - Preconceito linguístico

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Valorizar os livros

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“Presentear com livros não é a solução. Tomar consciência da importância deles na formação do indivíduo é que é."

 

 

A "pseudofalência" das duas maiores redes de livrarias do país chamou a atenção de algumas pessoas nestas duas últimas semanas. Alguns muito espantados, outros nem tanto... 

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7 dicas para escrever bem

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Escrever pode parecer algo complicado, e é! Aquele frio na barriga que dá ao ter uma boa ideia, a insegurança de estar sendo incoerente, a sensação de que escrever é uma bobagem [não, não é!], de que seria um dom reservado a poucos [também não], todos são sentimentos que bloqueiam qualquer processo criativo. Seja ele para produzir textos da vida acadêmica, literária, jornalística ou por hobby.

 

Por isso, selecionamos as seguintes sete dicas para você escrever bem. 

 

 

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Black Friday da Parábola

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Um final de semana de ofertas para uma vida inteira de conhecimento

 

Há alguns anos, a tradição da Black Friday começou no Brasil. Vai chegando o fim do ano e muita gente fica ansiosa para aproveitar as promoções. Todo mês de novembro, as lojas se preparam para conquistar os clientes com bons descontos, e os consumidores se preparam para a busca do melhor preço. 

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