Blog da Parábola Editorial

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Tudo o que fingimos (não) saber sobre tecnologias e educação

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Ana Elisa Ribeiro

 

Uma vez, anos atrás, respondi a uma entrevista de um jornal especializado em educação. A pergunta deles era sobre aquele lance de “laboratório de informática” na escola. Lembram? Salas resfriadas, cheias de máquinas cabeadas, regras, regulamentos, proibições, bloqueios preparados, softwares dedicados, senhas e modos de usar, geralmente administradas por um técnico sisudo — perdão pela caricatura — ou pelo(a) gestor(a) da instituição. Não lembro exatamente o que eu disse, mas já demonstrei ali minha desconfiança. Suspeitava, desde sempre, que a questão ia muito além do ter máquinas num determinado espaço físico. Antes e depois disso, sempre acompanhei as discussões sobre projetos de infraestrutura para escolas. Geralmente, o ensino público se ressente disso. Não foi por falta de ideia ou de tentar. Existiram projetos que davam notebooks simplificados para estudantes; projetos que entregavam “laboratórios” para escolas; projetos que entregavam tablets no ato da matrícula; projetos que entregavam plataformas ou softwares para atividades remotas etc. Nem sempre vi acontecer o que importa: projetos que mantenham a formação de professores e professoras, no século XXI e para o século XXI, e que, de quebra, reeduquem, também, as famílias quanto a isso. (Já vi escola recusar a compra de um e-book porque o tal livro indicado para leitura tinha de ser, não sei bem por quê... ou desconfio, impresso).

Às vezes me vem à cabeça uma analogia. Já houve incontáveis projetos assim com livros. Livros de papel, esse equipamento incrível, que também insiste em não chegar direito às mãos das pessoas. Há mil programas de incentivo, programas que dão livros às bibliotecas escolares, projetos que montam bibliotecas onde não há, projetos que entregam “cestas básicas” com livros para levar para casa, projetos que facilitam a possibilidade de um acervo familiar. Nos dois casos, algo acontece de errado no caminho, e as coisas acabam ficando distorcidas. Por mais que haja casos, aqui e acolá, bem-sucedidos, fora da curva etc., há um imenso elenco de casos de insucesso, de desprezo, de abandono. Muitos desses livros distribuídos foram vendidos aos sebos pelas famílias que os deveriam ler; outras obras jamais chegaram às mãos dos(as) leitores(as). Houve, do mesmo modo, escolas que trancaram seus computadores novos em salas fechadas e os deixaram lá, até que rapidamente ficassem obsoletos. Houve gestores(as) que amarraram tablets nas mesas de um ambiente fechado a chave; houve escolas que regularam excessivamente o uso das máquinas, alegando que computadores estragados não serão consertados. De fato, conheci situações em que um técnico em informática passava pelas redondezas, quando muito, de seis em seis meses. Os “laboratórios” iam caducando, caducando, até virarem lenda. Uma amiga viu pilhas de gabinetes de computadores de mesa virarem ninho de pombo em escolas que jamais os tiraram direito das embalagens. Houve escolas que receberam máquinas recauchutadas, que mal podiam ligar. E houve quem achasse tudo isso uma grande “moda”. Também houve a briga pelo software livre, muito justa. E outras tantas impertinências sobre máquinas e seus possíveis usos pedagógicos. Até hoje, neste exato instante, debate-se ou simplesmente veta-se o uso de celular em sala de aula. O problema não é ele, é o que fazer com ele. Aliás, a questão vale para quase tudo. Não foi, reitero, falta de ideia. Nem de tentativa.

Estive pensando, por estes dias, diante do surto de insensatez pelo qual o ecossistema escolar está passando: não me lembro de ter trabalhado em alguma escola que desse acesso irrestrito a máquinas e à web aos(às) estudantes. Fui docente em escolas privadas, grandes e pequenas; e fui/sou docente de escola pública grande e de prestígio. Nunca tive à disposição um “laboratório” um-por-um, isto é, cada cadeirinha... um(a) estudante. Era sempre complicado ir, complicado ligar, complicado ficar, complicado acessar, complicado produzir, complicado obter os softwares especializados, complicado confiar que a máquina e a produção estariam lá quando voltássemos, complicado disputar o espaço com colegas, complicado atender a trios-por-máquina, complicado, complicado. Tão complicado que a gente desiste. Os parcos 50 minutos de aula não foram feitos para essa era digital.

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Visitantes — Adailza Conceição Barbosa
Uau! Texto maravilhoso e digno de ser lido por diversas pessoas. Ao lê-lo conseguir viajar no tempo em que eu era aluna e me tran... Leia Mais
Quinta, 23 Abril 2020 11:48
Visitantes — ANA PAULA AZARIAS DA FONSECA
Ana, gostei muito de teu texto. É sóbrio, elegante, bem escrito e expõe inúmeras fragilidades de nosso sistema educacional frente ... Leia Mais
Terça, 28 Abril 2020 02:10
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A PARÁBOLA EDITORIAL NÃO PARA NEM DIANTE DO CORONAVÍRUS

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Marcos Marcionilo

Talvez vocês não tenham percebido, mas, durante esses tempos de quarentena para controle da covid-19, a Parábola Editorial tem feito todos os esforços para manter presença no cotidiano de cada um[a] de nossos[as] leitores[as]. Para falar francamente, nunca trabalhamos tanto quanto nesses tempos de parada. Até parece um paradoxo, não é? Mas não é! Na Parábola Editorial, todos sabemos que a hora da crise é a hora da definição de quem está com quem. E nós [a começar de nossas autoras e autores] escolhemos estar com vocês.

Estar juntos seria impossível sem a colaboração generosa de nossos autores e autoras:

Ana Elisa Ribeiro [CEFT-MG]

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“O” Covid-19 ou “A” Covid-19? Fatos linguísticos em tempos de pandemia

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A intuição linguística não é um recurso valioso somente para aqueles que lidam cientificamente com os fatos da língua, os linguistas, como também para os usuários em geral. Exemplo disso é o tratamento que damos, especialistas ou não, ao gênero gramatical dos substantivos da língua que crescemos falando ou mesmo de uma língua estrangeira. Em línguas românicas como o português, o espanhol e o galego, impera a tendência geral de que palavras terminadas em -o são masculinas, o livro, el libro, o libro, e as terminadas em -a são femininas, a casa, la casa, a casa, respectivamente. Há, certamente, casos nas línguas que não seguem essa tendência, pois existem nomes com tais terminações que podem pertencer aos dois gêneros ou ser de gêneros opostos ao que se espera. Além disso, não vou entrar aqui no pormenor de -o ser vogal temática e -a ser desinência de gênero, porque não é o objetivo. Por outro lado, os substantivos terminados em outras vogais e em consoantes podem ser de um ou de outro gênero — a ponte, el puente, a ponte / o sol, el sol, o sol — ou, ainda, de ambos.

 

Voltando à questão da intuição, na região de onde sou, no norte do estado do Espírito Santo, e acredito que em muitas outras partes do Brasil também, é muito comum ouvir “o alface de hoje tá murcho”, ou “o couve ficou muito bom”, quando nos dicionários, nas gramáticas e na escola aprendemos que essas palavras terminadas em -e são femininas. Depois dessa informação, muitos de nós adotamos o gênero dado como oficial, ou passamos a variar entre uma forma e outra, ou, ainda, podemos manter o uso anterior ao da escolarização. Um caso interessante é o da palavra caçula (o/a filho/a mais novo/a), que, apesar de também dicionarizada como caçulo, conforme o Houaiss e o Aurélio (pressão do uso?), tem sido considerada a forma padronizada e pode ser empregada para os dois gêneros, sem a alteração da vogal final, com a mudança do artigo que a antecede: o caçula /a caçula, o filho caçula / a filha caçula. Sou o filho mais novo dos sete que meus pais tiveram, e minha mãe, com apenas quatro anos de escolarização, mas dotada de intuição e sentimentos linguísticos como qualquer um de nós, sempre diz que sou “o caçulo”, porque na cabeça dela o homem é o caçulo, e a mulher é a caçula.

 

Fiz essa breve introdução porque, dado o contexto de pandemia que estamos vivendo, tem me deixado curioso o gênero gramatical atribuído a Covid-19, principalmente nos usos feitos por órgãos oficiais e imprensa, falada e escrita. Covid-19 é uma sigla em inglês para a doença causada pelo vírus Sars-CoV-2 (também uma sigla vinda do inglês), que desdobrada significa Coronavirus disease 2019, isto é, uma doença causada pelo coronavírus descoberto no ano de 2019. No momento, estou na Espanha, mais precisamente na Galiza, em Santiago de Compostela. Naturalmente, tenho ouvido e lido as notícias sobre o novo vírus e suas “peripécias” em galego e em espanhol, as duas línguas oficiais da Comunidade galega. Por isso, se tornaram comuns aos meus ouvidos e olhos as formas o Covid-19 (galego) e el Covid-19 (espanhol), ambas tratadas como masculinas, portanto.

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Visitantes — Pedro Silva
Por acaso, o autor teve curiosidade em saber como se diz e escreve em português de Portugal? Estranhamente, nenhuma referência no ... Leia Mais
Terça, 07 Abril 2020 15:06
Visitantes — Cinthia
E por que seria estranho que o autor não tenha mencionado o termo no português de Portugal? Ele também não o mencionou no castelha... Leia Mais
Sexta, 12 Junho 2020 19:02
Visitantes — Mauricio
Muito prolixo! Sem poder de síntese
Sexta, 08 Mai 2020 13:04
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“ELA TESTOU POSITIVO”: QUE SINTAXE É ESSA?

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“ELA TESTOU POSITIVO”: QUE SINTAXE É ESSA?

Marcos Bagno

Junto com a disseminação planetária do novo coronavírus, também está se difundindo uma construção sintática que vem sendo usada em várias línguas: testar positivo, como em “ela testou positivo”. Muitas pessoas estão se perguntando de onde vem e se está “de acordo” com a gramática do português. Vamos aproveitar o tempo do nosso necessário, imperativo e incontornável confinamento para refletir um pouco sobre isso.

Trata-se do que a gente chama em linguística de decalque, isto é, a tradução literal de um termo ou construção de uma língua-fonte para uma língua-alvo. Um exemplo seria a locução “ter lugar” (“a reunião teve lugar na última sexta-feira”), decalcada do francês “avoir lieu”, com o sentido de “ocorrer, acontecer” etc.

A construção testar positivo, portanto, é um decalque do inglês to test positive. Esta é uma propriedade sintática da língua inglesa chamada construção resultativa. É uma construção que permite formular uma frase que condensa uma informação a respeito do resultado obtido pela ação desempenhada pelo sujeito. Por exemplo: Peter hammed the can flat. Literalmente: “Peter martelou a lata chata”, mas o que realmente está dito ali é: “Peter martelou a lata até ela ficar achatada”. A construção resultativa tem esse nome justamente porque, repito, expressa o resultado da ação: o resultado de martelar a lata foi ela ficar achatada. Aqui temos um verbo transitivo, isto é, que se complementa com um objeto: martelar a lata. Mas a construção resultativa também pode ter um verbo intransitivo: The lake froze solid, ou seja, “o lago congelou a ponto de ficar sólido”. E é precisamente desse tipo a construção “She tested positive”: “Ela se submeteu a um teste que resultou positivo”. A construção resultativa do inglês, como se vê, permite sintetizar a informação numa frase simples com sujeito+verbo+adjetivo: she + tested + positive.

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Visitantes — Matheus Chaud
Bravo, caro Marcos Bagno! Belíssimo texto. Leitura agradável e muito interessante!
Quarta, 01 Abril 2020 00:52
Visitantes — Sérgio Santana
Gente, simplesmente maravilhoso! Parabéns, professor. Bela reflexão!
Quarta, 01 Abril 2020 13:56
Visitantes — Luana De Conto
Oi, professor! Gostei da sua análise mas acho que discordo da afirmação de que "positivo" seja predicativo do sujeito. Como vc mes... Leia Mais
Quarta, 01 Abril 2020 21:40
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O dialeto caipira cem anos depois por Marcos Bagno

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Marcos BAGNO

Nas primeiras décadas do século 20 foram publicadas diversas monografias que descreviam variedades específicas do português brasileiro. Decerto sob influência da dialetologia, disciplina fundada na Europa no final do século anterior, estudiosos brasileiros nos deixaram testemunhos valiosos sobre os modos de falar de algumas regiões. Um desses clássicos da nossa literatura linguística é O dialeto caipira, publicado em 1920 por Amadeu Amaral (1875-1929), intelectual paulista que se dedicou a vários campos de investigação como o folclore e a filologia, bem como a uma produção literária que inclui poesia e ensaios de variada temática. Já na abertura do livro, Amaral declara que o “dialeto caipira” estava praticamente extinto no momento da publicação, devido ao progresso das comunicações e à expansão do ensino. Foi para deixar documentados os traços característicos daquela variedade que Amaral provavelmente decidiu empreender seu trabalho, que acaba de ganhar uma nova edição comemorativa.

O principal interesse de O dialeto caipira para o público leitor de hoje está, quase paradoxalmente, no fato de que quase todos os fenômenos apresentados ali como “dialetais”, isto é, próprios de uma variedade especíica, não se limitam ao interior do Estado de São Paulo, área estudada por Amadeu Amaral. Também de forma paradoxal, então, o dialeto que supostamente tinha desaparecido continuava (e continua) a existir, e o próprio autor reconhece, em diversos momentos do texto, que vários daqueles fenômenos ocorriam também em todo o Brasil, não só em falares de populações rurais sem acesso à educação formal, como também na atividade linguística de pessoas “cultas” da zona urbana. E suas percepções estavam corretas.

Outras publicações dialetológicas das primeiras décadas do século 20 foram se sucedendo, até que em 1950 o carioca Serafim da Silva Neto (1917-1960) lançou a sua Introdução ao estudo da língua portuguesa no Brasil, uma obra pioneira em sua tentativa de descrever o português brasileiro com os dados e a metodologia disponíveis na época. Nesse livro, Silva Neto mostra que muitos dos fenômenos linguísticos até então rotulados como exclusividades de falares locais específicas eram, na verdade, conforme escreveu, “pan-brasileiros”, isto é, encontráveis em praticamente todas as regiões do país, do extremo norte ao extremo sul, de leste a oeste. As incontáveis investigações dialetológicas e sociolinguísticas realizadas desde então vêm comprovando que as chamadas “variedades populares” do português brasileiro apresentam uma grande convergência de traços, sobretudo no que diz respeito à morfossintaxe, ou seja, à gramática propriamente dita. As particularidades se limitam quase sempre a características fonéticas e, claro, ao vocabulário, que é sempre um repositório da cultura local. E mesmo no campo da fonética, sabemos que pronúncias como broco, praca, ingrês (para “bloco”, “placa”, “inglês”) e trabaio, véio, paia (para “trabalho”, “velho”, “palha”) ocorrem em todas as regiões do Brasil, no campo ou na cidade. Desse modo, o que “sobra” do dialeto caipira, depois de bem peneirado, é praticamente um único traço fonético: a pronúncia retroflexa do “r” em travamento silábico de palavras como porta, verde, corpo, pronúncia que recebe precisamente o nome popular de “R caipira”.

Os principais aspectos morfossintáticos assinalados por Amadeu Amaral constituem, de fato, regras já há muito tempo bem assentadas na gramática do português brasileiro mais geral. São usos que ocorrem tanto na fala das pessoas das camadas sociais menos privilegiadas quanto na das pessoas ditas “cultas”, quando não estão policiando sua atividade linguística: a diferença é basicamente de frequência desses usos. E diversos desses aspectos gramaticais já têm se enraizado com firmeza também na escrita de gêneros textuais mais monitorados, o que comprova a tese de que a mudança linguística, inevitável, avança da fala mais espontânea até a escrita mais formal, a despeito de toda a luta normativa de tentar frear essa mudança.

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O dialeto caipira, de Amadeu Amaral

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O dialeto caipira, de Amadeu Amaral (a partir da leitura da obra e do imprescindível artigo de Vandersí Sant’Ana Castro, “Revisitando Amadeu Amaral”. In: Estudos Linguísticos XXXV, p. 1937-1944, 2006. [1937/1944])

O Dialeto Caipira, publicado há exatos 100 anos, é uma obra de referência na história da dialetologia brasileira e um marco na história da linguística no Brasil. Feito com método (pesquisa in loco, clareza, critério, objetividade e precisão), é a primeira obra que procura descrever de forma abrangente um falar regional brasileiro. Até então, os estudos de dialetos enfocavam quase que só o léxico do português do Brasil, em âmbito geral ou regional, constituindo-se em dicionários e vocabulários. Diferentemente, o estudo de Amaral revela uma preocupação mais ampla, procurando descrever o falar caipira em seus diferentes aspectos fonético, lexical, morfológico e sintático.

Nas palavras de Vandersí Sant’Anna:

Diz-nos o Autor que até mais ou menos a última década do século XIX, tivemos “um dialeto bem pronunciado, no território da antiga província de S. Paulo” o falar caipira , “bastante característico para ser notado pelos mais desprevenidos como um sistema distinto e inconfundível”. Esse falar “dominava em absoluto a grande maioria da população e estendia sua influência à própria minoria culta. (...) Ao tempo em que o célebre falar paulista reinava sem contraste sensível, o caipirismo não existia apenas na linguagem, mas em todas as manifestações da nossa vida provinciana” (Amaral, 1982: 41). Todavia, no correr do final do século XIX e início do século XX, por atuação de fatores que alteraram o meio social (libertação dos escravos, crescimento da população, imigração, ampliação das vias de comunicação e do comércio, extraordinário incremento da educação), os “genuínos caipiras, os roceiros ignorantes e atrasados”, e o caipirismo vão perdendo seu espaço de influência. De tal forma que, à época em que o Autor desenvolve sua pesquisa, o falar caipira se acha “acantoado em pequenas localidades” que ficaram à margem do progresso, subsistindo “na boca de pessoas idosas”, observando-se, entretanto, que “certos remanescentes de seu predomínio de outrora ainda flutuam na linguagem corrente de todo o Estado, em luta com outras tendências, criadas pelas novas condições” (Amaral, 1982: 41-42). É esse falar que Amadeu Amaral descreve, numa tentativa de documentá-lo antes que se perca.

O material linguístico observado por Amadeu Amaral refere-se predominantemente aos municípios de Capivari, Piracicaba, Tietê, Itu, Sorocaba e São Carlos, mas é interessante aprender com o autor que o dialeto caipira era muito usado em toda a província (o estado de São Paulo), pela maioria da população e também por uma minoria culta. Isso deu aos paulistas a fama de corromperem o vernáculo com seus vícios de linguagem.

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O dialeto Caipira de Amadeu Amaral completa 100 anos e ganha nova edição

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Em comemoração ao centenário da 1ª edição de O dialeto caipira, de Amadeu Amaral, a Parábola Editorial anuncia a edição comemorativa da obra, a ser lançada oficialmente  no dia 14 de março de 2020, das 19h às 20h, durante o I Seminário Internacional de Estudos em Linguística Popular que acontecerá na UFScar em São Carlos, SP, de 12 a 14 de março que tem Amadeu Amaral como homenageado em sua programação.

A edição comemorativa de O dialeto caipira se justifica por sua importância para a cultura brasileira. A obra foi um estudo pioneiro das características da língua portuguesa no interior do Estado de São Paulo e é referência obrigatória na história da dialetologia brasileira.

No entanto, apesar de sua importância, a obra de Amadeu Amaral, infelizmente, “ainda é pouco conhecida”, sobretudo dos “mais novos”.  Daí vem a importância de se republicar a obra que, depois de 100 anos, ainda é tão atual. A nova edição traz o texto original publicado em 1920 em um belo projeto gráfico, objetivando atrair a atenção dos leitores para um trabalho tão fundamental para pesquisa linguística no Brasil considerando as inovações que introduziu em nossos estudos dialetológicos, a contribuição que representa para o conhecimento do português brasileiro, as questões que suscitou e pode suscitar ainda hoje para novas pesquisas.

 

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O PROFESSOR, O RELÓGIO E A LIÇÃO DE VIDA

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Em muitos anos não li uma história assim. Acaba de ser-me enviada por um amigo. Tudo o que fiz foi torná-la graficamente mais fácil de ler [Fernando Venâncio, Mértola, Alentejo, Portugal].

*

Um jovem encontra um senhor de idade e lhe pergunta:

— Se lembra de mim?

E o velho diz 'não'.

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Retrospectiva 2019

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Editar livros da área de Letras é cuidar da literatura científica brasileira, fomentar mais pesquisas e preocupar-se com a valorização deste patrimônio universal: a língua.

Você já parou para pensar que é um direito nosso, entre outros, conhecer a fonética e a fonologia do português brasileiro, nossa morfologia, sintaxe, prosódia, a história sociopolítica da língua, suas variedades e sua riqueza? E que isso também vale para Libras, inglês, línguas românicas etc.? Ou ainda, você já parou para pensar que a principal característica de um professor é a formação continuada e que a universidade vai para a escola e vice-versa pela difusão de ideias, de livros?

Nessa retrospectiva, (re)conhecemos nossos lançamentos do ano passado. Sem dúvidas, a Parábola Editorial se desenvolve junto com a qualificadíssima pesquisa linguística, literária e pedagógica de nossos doutores universitários e junto com vocês, mais que nosso público, nossos leitores críticos.

Fevereiro

Escrever na universidade 1: Fundamentos, de Carlos Alberto Faraco (UFPR) e Francisco Eduardo Vieira (UFPB);

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Educação Literária na Infância

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 Clecio Bunzen Jr (UFPE-CE)

 

Nos últimos dias, temos discutido a recente proposta do atual Ministério da Educação chamada de Política Nacional de Alfabetização (PNA). Por tal razão, iniciei, na minha página do Facebook, algumas postagens informais para indicar materiais gratuitos e de qualidade sobre a área da alfabetização no Brasil, assim como estudos no campo da educação linguística e da educação literária. O objetivo era mostrar que não deveríamos partir do “zero” ou negar todo o passado como faz o atual Ministério da Educação.

         Ao perceber uma boa recepção por parte dos(as) leitores(as) das postagens, pensei em transformá-las em algo mais sistemático e para um público um pouco maior. Surge assim uma lista com indicações e breves comentários sobre temáticas relacionadas ao ensino de língua e de literatura.

Na primeira postagem, indico cinco obras que podem auxiliar você a pensar a educação literária na infância. As obras são fruto de parceria das universidades com gestões anteriores do Ministério da Educação e/ou programas específicos de formação inicial ou continuadas de professores(as). Todas elas sugerem reflexões teórico-metodológicas para o trabalho com o texto literário na Educação Infantil ou na Educação Básica (especialmente, nos anos iniciais do ensino fundamental).

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Resenha do livro - História do Português

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  O livro História do Português, de Carlos Alberto Faraco, publicado pela Editora Parábola, aborda desde conceitos sociopolíticos a conceitos linguísticos.

Quem pensa ou acha que fatores sociais, culturais e políticos não se relacionam com a língua, está muito enganado. Todos esses fatores, principalmente o político, influenciaram na chamada língua portuguesa.

Acredita-se, ainda nos dias de hoje, que a língua é homogênea, inflexível, não suscetível à variação e à mudança. Porém, esse pensamento é uma falácia, visto que a língua participa de uma sociedade e esta, como afirma Faraco, é uma totalidade complexa, heterogênea, contraditória, simultaneamente integrada e em constante devir. Tais aspectos fazem com que a língua esteja em constante variação, resultando em uma mudança linguística. Viu como a língua não varia e muda aleatoriamente? Há fatores que impulsionam isso.

Entendida tal reflexão, partimos para a história da língua portuguesa.

Tudo começou no noroeste da Península Ibérica, numa região em que se encontram hoje os territórios da Galiza e do norte de Portugal, com os desdobramentos do latim, língua trazida pelos romanos.

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QUAL É A SUA CONTRIBUIÇÃO? Ou A FALTA QUE LER FAZ

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Ana Elisa Ribeiro

 

Fim de ano, safras de trabalhos de conclusão de curso, mestrados e doutorados sendo concluídos, leituras para as férias e eu me pego lamentando que ler esteja tão fora de moda na academia. Há pouco, li um artigo claramente derivado de uma tese. Pelo tema já batido, esperei encontrar nele referência a alguns/mas pesquisadores/as conhecidos/as e só me frustrei. Nada. Nem um toque de Fulana ou Beltrano que vêm trabalhando no assunto há uma, duas, duas décadas e meia, ininterruptamente. Como pode? Ou, como diriam os/as mais digitais: #comofaz?

Há vários anos, quando participo de bancas de mestrado, mas principalmente de doutorado, aponto, quando é o caso, a falta de uma revisão sistemática da literatura da área (geralmente, linguística aplicada ou edição, dependendo do que me chama). Infelizmente, é comum que eu aponte. Há sempre muito o que ler, os prazos são apertados, mas considero imprescindível — para o/a próprio/a pesquisador/a — que ele/ela faça essa revisão, ainda que recorte um período bem recente e não remonte ao século XVIII. Tendo feito isso, minimamente, além de tomar pé do que tem sido pesquisado e produzido, é possível justificar a existência da própria dissertação ou tese. Os trabalhos monográficos deixam de ser um exercício quase de autossuperação ou para o/a orientador/a (uma pequena banca ou a Capes etc.) e passam a ser algo mais: uma contribuição à ciência na área de conhecimento X ou Y.

Pois bem. Lamento que essas revisões estejam meio sumidas dos trabalhos monográficos, mesmo dos extensos. Vejo aqui e ali textos que tratam adamicamente das coisas, como se nada tivesse sido feito, pensado e discutido antes. Em alguns trabalhos, flagro afirmações que seriam facilmente evitadas — de tão ingênuas ou injustas, às vezes bobas — com meia dúzia de leituras relevantes de colegas, às vezes do mesmo programa de pós! E há muitas explicações para isso: o excesso de disciplinas a serem cumpridas nos programas, os prazos da Capes, a nota isto ou aquilo, o sanduíche para a internacionalização do programa etc. Mas nada me convence de que a leitura, esta sim, seja uma das principais e mais necessárias etapas de uma pesquisa.

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Por que é errado rir das expressões faciais dos intérpretes de LIBRAS?

curso-de-libras

 

Por que é errado rir das expressões faciais dos intérpretes de LIBRAS?”

Anderson Almeida da Silva

 

Assim que me foi proposto escrever sobre esta temática, me veio à mente a apresentação da cantora sul-africana Miriam Makeba em que ela entoa uma canção chamada de “A canção dos cliques”. A cantora é falante nativa da língua xhosa, língua conhecida por possuir em seu sistema fonológico sons que não são produzidos com o auxílio do ar dos pulmões, mas pela articulação da língua em vários pontos da boca. Esses sons se assemelham a “estalos” e são tipologicamente raros. No vídeo abaixo, a cantora fala que por onde ela andava as pessoas a questionavam: - mas, como você faz este barulho (os cliques)? E ela costumava se ofender e respondia que os cliques não eram barulhos, mas eram parte de sua própria língua. Ou seja, os cliques fazem parte da língua xhosa e não são apenas um efeito estilístico realizado à vontade dos falantes.

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Dez presentes perfeitos para os amantes de livros de linguística e língua portuguesa

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A Parábola preparou uma lista de dez presentes perfeitos para você aproveitar a Black Week da Parábola e presentear os amantes da língua e da linguagem com livros de linguística e língua portuguesa.

 

 


1. Assinatura-presente Clube Parabólicos

Essa dica é a primeira porque vale ouro. Você pode dar de presente uma caixinha do nosso clube exclusivo com livros de linguística no mês de aniversário das pessoas de quem gosta. Nela são enviados: um lançamento da Parábola, um marcador magnético e um voucher de 30% de desconto para os produtos do nosso site. Quer arrasar com um presente diferentão? Esse é de arrasar!

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Resenha - Lutar com palavras: coesão e coerência.

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Neste livro, Irandé Antunes fala sobre os mecanismos de construção textual de modo acessível. O livro é didático, tem linguagem de fácil compreensão e muitos exemplos.
Num texto, tudo vem encadeado, e a é a “propriedade pela qual se cria e se sinaliza toda espécie de ligação que dá ao texto unidade de sentido ou unidade temática” (p. 47). Mas como fazer a coesão? Por meio das relações de reiteração, associação e conexão.

A REITERAÇÃO retoma informações do texto pelos procedimentos de repetição e substituição. Repetição mantém algum elemento e pode ser realizada por paráfrase (reiterar com nova formulação linguística), paralelismo (unidades semânticas similares correspondem a estruturas gramaticais similares) e repetição (marcar ênfase, contraste, continuidade do tema e quantificar). Substituição varia os termos constituintes do nexo textual e poder ser realizada por substituição gramatical (substituir um termo por classes gramaticais com função referencial), substituição lexical (usar uma palavra no lugar de outra que lhe seja textualmente semelhante) e elipse (ocultamento de um termo identificável pelo contexto). A ASSOCIAÇÃO atinge as relações semânticas. Tem como procedimento a seleção lexical, regida pelo tema do texto. Recorre à associação de palavras antônimas (urbano x rural) e à associação parte/todo (trânsito, veículo, motorista). Com tais recursos, selecionam-se palavras pertencentes ao mesmo campo semântico, contribuindo para a construção da unidade temática.
A CONEXÃO é operada por conectores em pontos determinados dos textos, com determinações sintáticas rígidas. Tem como procedimento o estabelecimento de relações sintático-semânticas, recorrendo às conjunções, às preposições e aos advérbios, podendo sinalizar muitos tipos de relação, como causalidade, condicionalidade, temporalidade, etc.
A autora destaca que o conhecimento estritamente gramatical é insuficiente para a escrita de um texto coeso e coerente, pois quando reiteramos informações, selecionamos o vocabulário e conectamos partes textuais, recorremos ao nosso conhecimento de mundo para constituirmos uma base significativa que sustente o texto.

Por: Comtextorevisoes

 

Lutar com palavras: coesão e coerência 
- Degustação da obra

 

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A IRRACIONALIDADE DA “PASSIVA SINTÉTICA”

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A imposição de uma norma-padrão anacrônica e sem fundamentação nas práticas linguísticas autênticas, mesmo das camadas mais letradas da população, tem o efeito pernicioso de levar as pessoas a desistir de empregar determinadas formulações sintáticas pelo medo de “errar”. Um dos exemplos mais visíveis dessa situação tem a ver com o uso do pronome “se”, que há duzentos anos vem assombrando as pessoas que falam e sobretudo escrevem em português.

 

Já em 1918, o grande filólogo brasileiro Manuel Said Ali chamava a atenção para a irracionalidade de se cobrar uma concordância plural do tipo “alugam-se estas salas” com a desculpa andrajosa, esfarrapada e maltrapilha de que equivale a “salas são alugadas”. E ele diz que se alguém colocar um cartaz dizendo “estas salas são alugadas” é mais do que justificado que se duvide de sua “sanidade mental” (palavras de Said Ali). Existe uma diferença semântico-pragmática escandalosa entre “aluga-se estas salas” e “estas salas são alugadas”.

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Do trabalho infantil à leitura

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O Príncipe do Reino do Pé-de-Manga

Ferrarezi

Criança pobre no interior de São Paulo, fui apresentado ao trabalho infantil aos 5 anos. A vida não era fácil. De domingo a sexta-feira, estudava pela manhã, trabalhava à tarde na construção civil ou na enxada e, à noite, cuidava de uma horta caseira que nos ajudava a melhorar o arroz ou o macarrão, muitas vezes, o prato único do dia. Meu momento de descanso era o sábado à tarde, dia em que meus pais dormiam para se aliviar da semana, dia em que não havia ninguém para me mandar fazer algo, dia de subir no pé-de-manga.

A mangueira que havia no fundo de nosso quintal era meu lugar de paz. Nesses dias de paz, eu nela subia até o “olho”, aquele ponto limite entre o mundo terreno e o mundo celestial – ponto mágico que toda criança que teve infância interiorana conhece – e em que é possível colocar a cabeça para fora das folhas mais altas da árvore. Havia um galho especialmente feito pelo Criador para eu sentar e olhar os detalhes do mundo: era meu trono de príncipe – o príncipe do Reino do Pé-de-Manga! Esse lugar onde eu me postava – senhor da Terra até onde meus olhos alcançavam – até já era liso, lustrado e limpo de tanto me sentar ali. E dali – só com a cabeça de fora – eu via os telhados da vizinhança, o horizonte que se estendia sobre um pasto enorme que subia – interminável! – num morro suave e se conectava com o céu bem diante de nosso bairro. Ali, eu aprendi que as folhas das mangueiras nascem levemente rosadas e, depois, vão ficando mais vermelhas para, finalmente, se tornarem magicamente verdes! Aprendi que as formigas que brigam ferozmente por um fiapo de manga eram iguais aos seres humanos brigando por fiapos de poder e sobre gafanhotos saltitantes que pulam aparentemente sem destino, mas que sabem bem o que vão destruir adiante. Me tornei “doutor” em telhas e em nuvens com formatos incompreensíveis que escondiam discos voadores e anjos da guarda que só eu podia ver. Me tornei íntimo conhecedor anônimo das histórias de vida que eu inventava para os passantes miúdos que se arrastavam sombrios e cansados pelas ruas ao redor, sumindo por detrás das casas e aparecendo novamente nos terrenos vazios para, uns passos adiante, tornar a sumir para sempre. Ali, aprendi a imaginar, sonhei meu mundo e construí minhas esperanças na segurança da solidão – até o iniciozinho da adolescência, quando tive de sair de casa para tentar a vida longe de meus pais. Dois anos depois da separação, “minha” mangueira foi cortada e uma casa fria foi construída no lugar. A despeito da tristeza, tudo bem: já não importava mais. Ela já fazia parte inseparável da minha alma e eu já estava longe demais para provar seu doce abraço semanal.

E foi depois de “cair no mundo” que descobri que todo mundo precisa de uma mangueira, de um trono, de um lugar de solidão – e isso com regularidade! Todo mundo precisa de um lugar de paz, de sonho e de imaginação para ficar a-sós-consigo no meio do mundo, olhando de cima cada detalhe e construindo cada momento da vida porvir, mesmo que essa vida nunca chegue, que seja só esperança, que seja só paixão. Foi então que descobri que os livros doravante seriam meu novo pé-de-manga, meu novo lugar de paz, meu novo posto avançado entre as nuvens, lugar em que construo meu pensamento mais profundo. Sim! É no mundo das nuvens que a mente é mais poderosa, pois é ali que o mundo não pesa sobre nossos ombros nem nos oprime! Descobri que as folhas dos livros eram tão aconchegantes quanto as folhas da minha mangueira e que eram folhas igualmente mágicas, que mudavam de cor com a luz dos meus olhos e com o carinho da minha respiração. Descobri o quanto os livros são aconchegantes e quanto há do mundo para descobrir neles. Ensinei isso a minha esposa e a meus filhos e cultivamos isso em casa até hoje. Mesmo que não seja de forma tão frequente quando desejaríamos, de vez em quando – pelo menos! – fugimos para o “olho da mangueira” nos escondendo a-sós-conosco em meio às folhas dos nossos livros. E quando me retiro hoje do mundo frio e estressante para o aconchego dos livros, sinto a mesma paz, a mesma curiosidade e o mesmo êxtase que sentia quando estava no “olho da mangueira”. Mas, quando fecho os livros e olho para os lados, me apavoro! Percebo que isso tudo tem sido roubado das pessoas pelas telas digitais!

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VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, NOSSA VELHA (DES)CONHECIDA

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Texto por: Thi Zilio 

 

 “Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?”

O trecho acima faz parte da crônica Pechada, de Luís Fernando Veríssimo. Nela, o autor apresenta uma situação bastante comum em inúmeras salas de aula: a chegada de um aluno de outro estado e a reação (não muito amistosa) dos colegas de sala.

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Cinco diretrizes para ensinar os alunos a escrever

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Francisco Eduardo Vieira (UFPB/PROLING/HGEL)

                  

         Do ensino fundamental ao universitário, todo/a professor/a de português busca aprimorar o domínio da escrita de seus alunos por meio das mais diferentes práticas de análise e produção de textos.

         As estratégias pedagógicas dos docentes costumam ser variadas, atendendo a uma gama também diversa de fatores como, por exemplo, o nível de letramento dos estudantes, os objetivos dos planos de aula e de curso, o gênero textual abordado e a relação com os outros eixos do ensino-aprendizagem de língua portuguesa – leitura, oralidade, gramática e literatura.

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ESQUEÇA A “LÓGICA” DA LÍNGUA!

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Marcos Bagno

Desde o surgimento da filosofia antiga na Grécia, circula na cultura ocidental o mito de que a língua se organiza numa gramática que seria um espelho da lógica que comanda os processamentos da mente/espírito/alma/razão. Desse modo, a gramática seria a “lógica” da língua, enquanto a lógica descreveria a “gramática” do pensamento. Essa concepção de língua e de mente como o espelho uma da outra, velha de 2.500 anos, se enraizou fundo e continua bastante viva até hoje, especialmente entre as pessoas que se esforçam por defender a “pureza” da língua contra os “abusos” e os “erros” cometidos pelos próprios falantes. Essas pessoas costumam argumentar que esses “abusos” e “erros” vão na contramão da “lógica da língua” que, supostamente, governa a gramática. Por exemplo, no enunciado “Descartes foi um dos filósofos que se ocupou do caráter universal da linguagem”, o verbo ocupar deveria estar no plural por motivos “lógicos”, o que se comprovaria com a inversão dos termos: “Um dos filósofos que se ocuparam do caráter universal da linguagem foi Descartes”. Não parece lógico? Só que não...

O grande equívoco dessa abordagem tradicional é acreditar que existe realmente uma identidade entre o funcionamento da língua e o funcionamento da mente. Querer encontrar na língua a mesma “lógica” que governa a mente é acreditar, em última instância, na tese de que “o homem é um animal racional”, formulada inicialmente por Aristóteles e repetida até hoje. Ora, essa suposta racionalidade do ser humano foi posta em cheque no início do século 20 pela psicanálise desenvolvida por Sigmund Freud (1856-1939), que enfatizou o papel fundamental do inconsciente no funcionamento da psique e nas ações concretas — desdobramentos mais recentes da neurociência e de outros campos de investigação empírica têm sugerido que mais de 90% das operações do nosso cérebro estão fora do nível da consciência.

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