Blog da Parábola Editorial

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História das línguas, histórias da linguística

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História das línguas, histórias da linguística é um convite expresso para uma festa de aniversário: os 70 anos de Carlos Alberto Faraco, completados em maio de 2020. A pandemia nos forçou a adiar a comemoração, mas aqui estamos nós, num ato raro dentro de nosso cronograma de publicações: promovendo uma celebração, provocando uma pausa para fazer uma homenagem.

Carlos Alberto Faraco é um autor que dispensa apresentações junto aos leitores da Parábola Editorial. Sim, do ponto de vista da persona autoral isso é verdade. Já do ponto de vista pessoal, ele merece ser mais conhecido. Leiam o trecho a seguir para verem um aspecto pessoal que se tornou princípio de ação:

[…] fui sendo levado ao passado para melhor sustentar meus argumentos. Penso que, como saldo desses anos de pesquisa, tenho conseguido oferecer à área um conjunto de informações importantes para nossos debates contemporâneos. Me incomodam muito certos discursos que, por falta de uma perspectiva histórica, se alardeiam como grandes novidades. O conhecimento histórico nos relativiza e nos chama à humildade intelectual (Carlos Alberto Faraco, 2020, “Depoimento pessoal”).

Essa “questão” pessoal é de tamanha importância que passou a ser assumida como orientação programática pelos grupos de pesquisa e de ensino que contam Faraco entre seus colaboradores. E também passou a ser uma das linhas de publicação da Parábola Editorial. Como nosso homenageado, temos completa convicção de que o conhecimento da história da língua portuguesa e de nossa história social, política e econômica pode nos levar a um mais alto patamar de conhecimento e de comprometimento com nosso papel na construção da sociedade que desejamos ver instalada no Brasil: democrática e inclusiva. Se vocês olharem para nossos lançamentos verão esse viés editorial claramente.

Por conta de nossa identificação com aquilo que aqui chamamos de “o princípio histórico” de nosso autor e de nossa convicção da urgência de iluminar as ideias centrais de sua obra e pensamento, abrimos duas exceções para fazer chegar essa obra histórica a vocês [uma vez que só podíamos celebrar os 70 anos de Faraco com vocês nas páginas de um livro]:

(a) aceitamos publicar uma obra coletiva [quando damos clara prioridade a obras uniautorais, essa é um requisito que divulgamos desde quando a Parábola foi aberta em 2001];

(b) uma obra coletiva em homenagem a um autor, algo muito difícil de conciliar com uma edição que possa ser, ao mesmo tempo, de interesse de nosso público-alvo. As coletâneas “em homenagem” geralmente giram desarticuladas em torno de vários eixos, um para cada capítulo. Podemos revelar a vocês que não são poucas as obras “em homenagem” oferecidas a nossa editora e que nós, por compromisso com vocês, não conseguimos publicar.

Por compromisso com nosso público, não podíamos repetir o esquema costumeiro. A saída era preparar uma homenagem que também fizesse sentido para vocês, que são a nossa razão de ser enquanto editora. Então, para vencer as duas restrições, convidamos dois autores muito próximos de nosso homenageado, dizendo a eles:

— Precisamos homenagear os 70 anos de Faraco, mas com uma obra que também faça sentido e tenha importância para os leitores que temos conquistado nesses vinte anos e possa ser usado como referência em nosso momento de ensino, pesquisa, produção e publicação.

E quais foram os dois autores convidados para editar o livro? Marcos Bagno e Francisco Eduardo Vieira, dois colaboradores constantes de nosso Faraco nos últimos anos. Eles assumiram, de todo bom grado, a organização do livro-homenagem e convidaram autoras e autores que já colaboram estreitamente com nosso Mestre. Vejam se não é verdade: Ataliba Teixeira de Castilho, Beth Brait, Bruna Polachini, Cristina Altman, Cristovão Tezza, Dante Lucchesi, Francisco Calvo del Olmo, Henrique Monteagudo, José Borges Neto, Karine Marielly Rocha da Cunha, Marcelo Alessandro L. dos Anjos, Olga Coelho, Roberto Mulinacci, Thomas Finbow, Xoán Carlos Lagares,

São, portanto, esses os organizadores e as autoras e autores da obra História das línguas, histórias da linguística: Homenagem a Carlos Alberto Faraco, que vocês agora recebem.

É excepcional a qualidade dos textos reunidos neste livro, um gesto de reconhecimento da enorme importância de Carlos Alberto Faraco para a Linguística brasileira. Trata-se de autores de diferentes áreas da linguística, que se juntaram para a escrita desse livro-homenagem, ao mesmo tempo heterogêneo e convergente, tal qual Faraco. Além de homenagear sua trajetória acadêmica, a obra se estabelece como um instrumento de divulgação de algumas pesquisas de ponta sobre a história das línguas, as histórias da linguística e suas possíveis interfaces. Não fizemos capítulos laudatórios. Vocês têm aqui forma de acesso a pesquisas e a posições consolidadas nas ciências da linguagem e esse acesso certamente abrirá a cada um(a) muitas oportunidades de formação e ação, para muito além do caráter de homenagem da obra.

Entre os muitos campos de atuação do Mestre de Curitiba, os organizadores se decidiram pelo eixo história como base unificadora da homenagem por três razões.

Primeiro, não é exagero dizer que a trajetória dos estudos linguísticos e do ensino de língua portuguesa no Brasil nas últimas décadas foi e vem sendo atravessada em muitos de seus momentos pelo percurso acadêmico de Faraco.

Segundo, é na dimensão histórica da língua e das ideias linguísticas que vem incidindo fortemente o interesse temático e disciplinar do Mestre nos anos recentes.

Terceiro, a história como eixo nos possibilitou abrigar diferentes áreas de investigação linguística (da análise do discurso à historiografia da linguística, da sociolinguística ao funcionalismo, da filosofia da linguagem à história das línguas, por exemplo) movimentadas por Faraco em sua trajetória acadêmica, pois algumas poderiam ser tomadas numa perspectiva diacrônica.

Assim, História das línguas, histórias da linguística: Homenagem a Carlos Alberto Faracoabriga catorze capítulos escritos por dezesseis linguistas brasileiros e estrangeiros de diferentes gerações e instituições, colaboradores diretos ou indiretos de Carlos Alberto Faraco nesse profícuo processo a que ele se dedica de construção da história das línguas e das histórias da linguística.

Os capítulos 1 a 3 [de Marcelo A. L. dos Anjos; Beth Brait; Olga Coelho e Thomas Finbow, respectivamente] dialogam explicitamente com a obra de Faraco, refletindo sobre a condução de dois aspectos temáticos centrais de seu trabalho e sobre seu já clássico livro História sociopolítica da língua portuguesa. Os capítulos 4 a 6 [de Francisco Eduardo Vieira; Cristina Altman; Bruna Polachini, respectivamente] se dedicam a resultados de pesquisa e a questões teórico-metodológicas envolvendo a história e o ensino de gramática.

Os capítulos 7 a 10 [de Ataliba T. de Castilho; Dante Lucchesi; Roberto Mulinacci; Henrique Monteagudo, respectivamente] pautam as histórias da língua, particularmente as histórias do português – brasileiro e europeu – e do galego. Os capítulos 11 a 14 [de José Borges Neto; Francisco Calvo del Olmo e Karine M. R. da Cunha; Xoán Carlos Lagares; Marcos Bagno, respectivamente] permanecem no eixo da história das línguas, dessa vez em dimensões mais abrangentes, e o relacionam às histórias da linguística no século 19 e início do século 20.

Impressiona-nos em Faraco a conciliação de saberes e a postura político-ideológica claramente definida, que ecoa vozes silenciadas ao longo de séculos. Ele vem publicando de forma prolífica nos últimos anos, sempre esclarecendo a desafiadora situação linguística que vivemos.

O enfoque principal de sua produção é o ensino e o uso da língua portuguesa, abordados de modo a explodir a mitologia negativa que os cerca. O método adotado por Faraco — especialista na análise do discurso de linha bakhtiniana e na historiografia da linguística histórica do português — é elucidar a natureza da(s) norma(s) linguística(s) brasileira(s). Seu propósito é abrir a caixa-preta em que estão guardados os fatores históricos, socioculturais e linguísticos que contribuíram para formar e sustentar o discurso vigente sobre a língua portuguesa no Brasil. Nessa empreitada, Faraco dissipa uma densa nuvem de mal-entendidos, mitos e preconceitos.

Homenagear Carlos Alberto Faraco é, portanto, fazer justiça a um percurso intelectual e profissional que faz dele um dos linguistas brasileiros mais importantes da sua geração. Ao destacar essa trajetória de nosso “Il Dyvo” [é assim que o chamamos carinhosamente aqui na Parábola] queremos apontar a todos(as) vocês a necessidade de empenhar o mesmo empenho e ética na docência e na vida. Para nós todos, organizadores, autora(es), editora é motivo de grande honra viver no mesmo tempo em que vive Carlos Alberto Faraco.

Nossos parabéns, Professor!

Andréia Custódio

Francisco Eduardo Vieira

Marcos Bagno

Marcos Marcionilo

Parábola Editorial

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