Blog da Parábola Editorial

Mikhail Bakhtin

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Alastair Renfrew, professor inglês de língua e literatura, tem em Mikhail Bakhtin seu segundo livro sobre esse autor. O primeiro é mais especificamente voltado para a literatura e discute uma proposta de estética material considerando as propostas de Bakhtin do ponto de vista de sua contribuição para os rumos atuais da teoria literária ou, mais amplamente, do estudo da literatura (cf. Renfrew, 2006). 

 

Em Mikhail Bakhtin, o autor amplia seu horizonte de considerações, embora permaneça ligado ao discurso literário, que lhe serve de base de exemplificação e explicação didática de pontos que julga mais relevantes. O interesse do autor é destacar “a significação fundamentalmente literária da obra de Bakhtin”, mas também mostrar que a contribuição de Bakhtin é “inteiramente consistente” com as ciências humanas em geral, em vez de se restringir ao literário (p. 19). 

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CARNAVAL

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A IDEIA DE CARNAVAL EM BAKHTIN

 

As ideias de carnaval e da correlata carnavalização emergem da leitura feita por Bakhtin da cultura folclórica popular da Idade Média e de sua transmissão no Renascimento, tema de seu livro Rabelais e seu mundo (quase todo escrito no final dos anos 1930 e durante os anos 1940, publicado em russo em 1965 e, em tradução para o inglês, em 1968). Em um sentido evidente, o carnaval é profundamente reflexivo do pensamento bakhtiniano como um todo, por levar as ideias-chave de corporificação e inacabamento a um extremo quase poético (pelo qual Bakhtin foi muito criticado). O livro sobre Rabelais está, portanto, mais obviamente relacionado com o ensaio sobre o cronotopo, ao elaborar, em sua ênfase sobre o vir-a-ser, a insistência em que nada é mais significativo do que a resistência ao fechamento, ao inacabamento do ser humano, à questão do processo de “como uma pessoa vem a ser outra” (FTC 115). Também se pode argumentar que, embora o ensaio sobre o cronotopo tenha focalizado o tempo como a “categoria primária” (FTC 85), o livro sobre Rabelais revisita o mesmo conjunto de problemas, só que agora priorizando “o princípio material corporal” (RM 19), em busca de todas as implicações da vida encarnada, participativa como base para um “conceito de ser [explicitamente] materialista” (RM 52). O tempo não está ausente do carnaval — se estivesse, não poderia produzir o desenvolvimento, o vir-a-ser requerido para a renovação e o renascimento (inacabamento) —, mas no carnaval como “espetáculo ritual” efetivo o tempo está suspenso: ele cede seu papel primário à habitação corporal do espaço de carnaval.

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