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Ensinar na Universidade

Ensinar na Universidade

 

Uma leitura instigante

 

Acabei de ler Ensinar na Universidade – conselhos práticos, dicas, métodos pedagógicos. O livro, do professor Markus Brauer, foi escrito em francês e traduzido para o alemão, o espanhol e o português brasileiro para a Parábola Editorial (São Paulo, 2012), em tradução correta e detalhista de Marcos Marcionilo [http://bit.ly/2vsYhvb]. 

 

O texto é fluído e elucidativo, ótimo de ler. O autor é psicólogo, com doutorado nos Estados Unidos e trabalha no Departamento de Psicologia da Universidade de Wisconsin com pesquisas sobre processos grupais e intergrupais. Possui vivência em sala de aula, valoriza a relação aluno-professor, explica objetivamente as boas técnicas didáticas e a necessidade da pesquisa. Seu texto está embasado em uma vastíssima bibliografia (284 referências bibliográficas), além de trazer um útil anexo, com um método que ensina a ler manuais e livros técnicos de modo a aproveitar ao máximo sua compreensão e estudo. Há ainda a indicação de vários sites da internet capazes de auxiliar no trabalho didático dos docentes.

 

o que é “ser um bom professor”

 

O livro é dividido em 11 capítulos [http://materiais.parabolaeditorial.com.br/ensinar-na-universidade, acesso: 27 Jul 2017] que se iniciam a partir de uma plataforma básica sobre o que é “ser um bom professor”. O autor se estende didaticamente sobre o trabalho pessoal dos estudantes, a importância de se fazer uma ementa de curso fundamentada e informativa, como dar aulas expositivas e orientar estudos dirigidos, como organizar e corrigir as provas, melhorar o desempenho educacional do mestre e administrar o tempo. Para mim a cereja do bolo é a parte que trata do relacionamento com os estudantes, a fonte e foco do nosso trabalho acadêmico de ensino, pesquisa e extensão.

 

Algumas de suas colocações são diretas e fundamentais para entender devidamente a responsabilidade e significado de dar aulas:

 

O que determina a eficácia de um ensino são os métodos pedagógicos utilizados” (p. 18).

 

A ‘relação’ entre professor e estudantes é fundamental. Lembre-se de seus professores em seu tempo de escola” (p. 19).

 

Fazer um curso sem leitura obrigatória não faz parte dos métodos eficazes para reduzir a conversa fiada” (p. 45).

 

A aula (meramente) expositiva é a forma pedagógica menos eficaz.” (p. 99).

 

 

Há uma parte específica sobre a diferença e eficácia entre questões dissertativas e questões de múltipla escolha (p. 172).

 

Um derradeiro conselho é tomar consciência dos desvios de que somos vítimas quando avaliamos o desempenho de nossos estudantes” (p. 184).

 

É surpreendente que alguns professores pensem que os aspectos relacionais não têm importância. Muitos gestores ficariam chocados com essa atitude. Liderar pessoas, estimular colaboradores a serem performativos é quase unicamente relacional, dizem eles. Enquanto professores, nossos objetivos não são lá muito diferentes de um gestor, que tenta levar seus colaboradores a adotarem determinados comportamentos. Nosso objetivo é levar nossos alunos a adotarem comportamentos que maximizem sua aprendizagem: prestar atenção às aulas, fazer a leitura obrigatória, fazer os exercícios, estudar regularmente durante todo o semestre etc.” (p. 213).

 

Esses são alguns tópicos pinçados das 280 páginas do livro. A pequena amostra permite vislumbrar a clareza e objetividade com que o autor encara o sentido e o significado do ensino.  É importante que os educadores mantenham um aperfeiçoamento constante e uma reflexão aberta sobre seu trabalho, seja na universidade ou no ensino médio e fundamental. Paradoxalmente, muitas vezes são os professores universitários que, amparados na pretensa maturidade e experiência de seus alunos - e preocupados com suas pesquisas -, que mais relaxam a necessidade de incrementar seus métodos. Os professores de crianças e adolescentes passam por mais formação didático-pedagógica que muitos de seus colegas de ensino superior. Algumas vezes há até uma franca hostilidade ou preconceito contra a pedagogia como instrumento valioso para melhorar sistematicamente não apenas as aulas, mas a relação entre docentes e discentes. Em geral esses preconceitos surgem de inseguranças ou de falhas na formação de novos professores que chegaram às salas da universidade sem o devido preparo e atenção por parte dos seus gestores ou coordenadores. Afinal, não é evidente ou natural que um ótimo profissional ou pesquisador seja, sem nenhum preparo ou acompanhamento específico, igualmente um bom professor.

 

Dar uma boa aula se aprende nas escolas

 

Dar uma boa aula se aprende nas escolas. Manter o pique como bom educador depende de formação constante e de reflexão crítica sobre seus métodos, inclusive de avaliação, motivação e relação com os alunos e seus próprios colegas.

 

Em todos esses campos o livro de Markus Brauer pode auxiliar nosso trabalho nas universidades. Ele traz propostas e dicas de maneira honesta, aberta e flexível. Não é dogmático ou mecanicista. Preocupa-se com as ponderações contrárias, devido ao  aspecto polêmico de algumas questões mais complexas. É um texto necessário para os que já são bons professores e para aqueles que sabem ser possível melhorar a cada ano e a cada turma lecionada.

 


 

 

 

 

 

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