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Português brasileiro e sociedade no Brasil

Português brasileiro e sociedade no Brasil

 

PORTUGUÊS BRASILEIRO E SOCIEDADE NO BRASIL: debate histórico e político

 

 

DICIONÁRIO CRÍTICO DE SOCIOLINGUÍSTICA, de Marcos Bagno, e HISTÓRIA SOCIO POLÍTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA, de Carlos Alberto Faraco, foram lançados em evento no Memorial da América Latina.

 

No dia 23 de agosto de 2018, uma mesa-redonda reuniu em São Paulo, na Biblioteca Latino-Americana do Memorial da América Latina, Carlos Alberto Faraco [UFPR] e Marcos Bagno [UnB], dois cientistas brasileiros da linguagem com expressiva produção teórica e inegável autoridade nas questões relativas ao ensino de língua materna no Brasil. O encontro dos dois autores no Memorial da América Latina representa a celebração e o reconhecimento da obra de dois autores cada vez mais lidos por professores e estudantes de línguas, num momento em que as questões da educação brasileira são atentamente escrutinadas e que só serão mais bem entendidas na dupla perspectiva da história de nossa língua e da sociolinguística crítica. História, política e sociedade, lugares onde a língua acontece e define a identidade dos cidadãos e do país que eles constroem.

 

O evento foi palco para o lançamento do mais novo lançamento de Marcos Bagno, o Dicionário crítico de sociolinguística, livro no qual Bagno apresenta uma obra de caráter crítico. Não poderia ser diferente, afinal, não existe discurso neutro sobre a língua (e sobre nada mais). Não faz sentido, então, considerar a língua fora do contexto social, histórico, político, cultural em que ela é usada. A língua não pode ser considerada como algo fora dos seres humanos que a usam. E como os seres humanos vivem em sociedade, a língua também não pode ser considerada fora da sociedade. O velho Aristóteles já tinha escrito que “o homem é um animal político”. Nós somos seres políticos, todas as nossas ações e relações são políticas. Até na intimidade mais íntima, o que nós fazemos tem caráter político.

 

O Dicionário crítico de sociolinguística toma uma posição explicitamente crítica, embora seja evidente que, simplesmente, não existe nenhum dicionário que não seja crítico, mesmo (e sobretudo) os que não se assumem como tal.

 

Produzido no Brasil e para um público leitor brasileiro, o Dicionário crítico de sociolinguística não poderia deixar de contemplar questões sociolinguísticas específicas da nossa configuração social, histórica e cultural. Dentro desse espírito, e na medida do possível, toda a exemplificação de fenômenos sociolinguísticos se oferece com dados do português brasileiro, e foi intenso e extenso o recurso à volumosa bibliografia (socio)linguística produzida entre nós, mesmo quando não nominalmente referida.

 

Na mesma ocasião, também foi lançada a História sociopolítica da Língua Portuguesa (Parábola, 2016). Nessa obra, Carlos Alberto Faraco preocupou-se em observar como a variedade linguística românica que emergiu do latim falado no noroeste da Península Ibérica — área que compreende hoje aproximadamente os territórios da Galiza e do norte de Portugal — se expandiu para o sul, ocupando toda a faixa ocidental da Península; e, posteriormente, na esteira da expansão marítima e do colonialismo português, deixou as fronteiras europeias, instalando-se na Ásia, na África e na América, e é hoje uma língua internacional.

 

Lamentei não encontrar em nenhuma lista de livros do ano aquele que é, sem dúvida, um dos mais importantes lançamentos de 2016 no Brasil: ‘História sociopolítica da Língua Portuguesa’ (Parábola Editorial), de Carlos Alberto Faraco. Sérgio Rodrigues (colunista da Folha)

 

Que circunstâncias históricas favoreceram essa sucessiva expansão e que consequências sociopolíticas advieram delas? 

 

Como essa língua se tornou objeto de discursos (proféticos, inclusive) e que narrativas a vêm acompanhando ao longo de sua história? 

 

Que mitos se forjaram sobre ela e como eles persistem no tempo?

 

Mas Carlos Faraco vai além:

  • De que modo uma língua é imposta a uma população que fala línguas diferentes?
  • Quais os métodos empregados para essa imposição?
  • Quais as formas de resistência possíveis contra essa imposição linguística?
  • Quais os eventos históricos responsáveis pela expansão de uma língua sobre um determinado território?
  • Que fatores econômicos, culturais, ideológicos etc. favorecem o estabelecimento de uma língua em detrimento das outras?
  • O que leva uma língua a receber o rótulo de “língua oficial”?
  • Como se constituiu a modalidade de língua que se torna o padrão definido para o ensino, para a administração da justiça, para o exercício do poder etc.?
  • Que grupos sociais ditam o que é certo e o que é errado em termos de usos linguísticos?

 

Ele não se contenta em descrever os processos sociopolíticos que têm configurado a língua portuguesa ao longo do tempo. Ele também se dedica ao exame das representações sociais em torno da língua, isto é, ao exame dos discursos que vão sendo elaborados para fazer da língua um objeto cultural e principalmente um objeto de investimento ideológico. E é aqui que se justifica ainda mais o adjetivo sociopolítico do título do livro.

 

São as ideologias linguísticas que Bagno e Faraco tratam de esmiuçar em suas obras. A leitura das duas obras é fundamental para todos os estudantes de Letras e para todos os professores de língua materna.  


 

 

 

 

 

 

 

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