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A língua portuguesa no mundo

A língua portuguesa no mundo

O ensino de português como língua estrangeira


Estamos vivendo um momento interessante da história sociopolítica da língua portuguesa. Há um aumento de falantes no círculo externo (países em que o português é língua oficial não majoritária em contexto multilíngue) e no seu círculo em expansão (contextos em que é estudado como língua estrangeira).

No círculo interno, o Brasil, por si só, tem forças de atração inquestionáveis e suficientes para promover a sua língua hegemônica. Esse conjunto de forças compensa, em parte, o fato de a língua portuguesa, diferentemente do espanhol, estar concentrada num só país.

Embora haja uma promoção espontânea, o Brasil não deve deixar de desenvolver políticas de Estado consistentes e continuadas com vistas a uma promoção sistemática da língua. No nosso meio universitário, há, inclusive, a expectativa de que o Estado brasileiro assuma maior protagonismo nessa promoção sistemática – um protagonismo que corresponda à sua condição de país com o maior número de falantes da língua portuguesa no mundo.

O Brasil não está, obviamente, ausente dessa promoção sistemática. Dispomos de um exame de proficiência (o Celpe-Bras) e temos a rede constituída pelos Centros de Estudos Brasileiros, os leitorados e os institutos binacionais. Talvez o desafio do momento seja avaliar essa rede, buscando meios de intensificar seu alcance. Para isso, será importante aproveitar outro expressivo acontecimento das últimas décadas, a criação de grupos de pesquisa em várias universidades do país voltados para o ensino de português como língua estrangeira, plenamente capacitados para cooperar com as políticas oficiais, como já ficou demonstrado com a criação e implantação do nosso certificado de proficiência, o Celpe-Bras.
É bem claro para qualquer analista que, em geral, não há aí esforços convergentes.

 

Além do meio universitário, é fundamental envolver outros agentes sociais, além do Estado, em projetos de promoção sistemática da língua. O capital que fala português, diferentemente do que fala espanhol, não encontrou ainda motivação para transformar a língua em ativo econômico. Há toda uma área a ser conquistada para as políticas de promoção do português.

Ao lado da política nacional de promoção da língua, talvez fosse desejável desenvolver também ações convergentes dos dois países do círculo interno (Portugal e Brasil) para ganhar terreno para o português no espaço das línguas internacionais.

É bem claro para qualquer analista que, em geral, não há aí esforços convergentes. Talvez a grande diferença demográfica entre os dois países do círculo interno seja uma barreira (intransponível?) para a convergência.


De qualquer forma, é preciso reconhecer que não têm faltado iniciativas políticas conjuntas a congregar todos os países de língua oficial portuguesa, iniciativas que estão ainda seguindo, portanto, a pulsão unificadora – tais como a criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em 1989, e a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 1996, organismo que tem a promoção da língua como um dos seus três objetivos.


No entanto, é preciso reconhecer também que essas iniciativas têm tido poucos efeitos concretos até o momento. Talvez o mais expressivo seja a elaboração do Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), sob a responsabilidade do IILP, reunindo já os acervos de seis países. O desafio é saber se tudo o que se conquistou nos últimos anos em termos multilaterais terá continuidade no futuro.



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