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Linguística do texto: Irandé Antunes explica seu novo livro

Linguística do texto: Irandé Antunes explica seu novo livro

 

Não à gramática da palavra e da frase

 

Minha pretensão com Textualidade: noções básicas e implicações pedagógicas é oferecer aos professores da educação básica e a alunos dos cursos de Letras e Pedagogia uma introdução aos estudos da textualidade e do texto, com esclarecimentos a respeito de questões mais gerais e preliminares. Uma espécie de iniciação básica… Um começo de conversa… O que significa que é uma ‘iniciação’ (‘um começo’) de ‘uma conversa’, que vai se prolongar e se aprofundar depois… Quero eu!

 

Além dessa iniciação aos conteúdos ligados a esses tópicos textuais, pretendo trazer algumas orientações e sugestões de como os professores poderiam iniciar os alunos nesses estudos textuais, tirando do foco do ensino — como tem acontecido, ainda hoje, em muitas escolas do país — conceitos e atividades mais restritos à gramática da palavra e da frase.

 

Por exemplo, em geral, aos alunos das séries iniciais não se pede que escrevam pequenos textos (já que ainda não estão alfabetizados), mas se pede que formem frases isoladas, a partir de palavras também isoladas, reconhecidas com base em figuras que nem sempre têm vínculo que as associe semântica ou pragmaticamente. Uma atividade, pois, que nega o princípio básico da linguagem — sua funcionalidade — e o outro da textualidade — que é a articulação entre seus constituintes e a unidade semântica e pragmática daí decorrente.

 

O óbvio — que nunca é demais insistir — é que ninguém anda por aí formando frases… A gente diz coisas que fazem algum sentido e que têm alguma finalidade em certo contexto real. E diz… para determinados interlocutores.

 

Mais: logo depois de alfabetizadas — numa “pressa” injustificada —, as crianças costumam ser solicitadas a contarem o número de letras ou dos fonemas das palavras, ou o número de versos de um poema ou o número de parágrafos de uma fábula; a classificarem palavras quanto ao número de sílabas, e outras coisas, o que, com certeza, poderá ter sentido em outras etapas da trajetória de estudo da língua, mas não neste momento da escolarização.

 

O óbvio — que nunca é demais insistir — é que ninguém anda por aí formando frases

 

 Enquanto isso, as questões mais pertinentes às atividades de falar e de escutar, de ler e de elaborar um texto — até mesmo as mais preliminares — não costumam ser objeto de consideração. É como se não existissem.

 

Por isso me dirijo prioritariamente a professores da educação básica e a alunos de Letras e de Pedagogia. Nada impede, no entanto, que alguém interessado em iniciar-se nesse mundo do texto e de suas categorias dê uma olhadinha nestas páginas, a fim de ampliar sua formação linguística, já que, como se sabe, o texto e seus conceitos não têm preenchido a pauta dos programas de estudo nem mesmo nas séries mais avançadas.

 

Não alimento, pois, outras pretensões, a não ser isto mesmo: favorecer a introdução desse público em um universo conceitual ainda pouco acessível e tradicionalmente preterido e assim oferecer subsídios — bem claros e acessíveis (espero!) — para que novos objetos de ensino sejam incorporados às aulas de português.

 

Não terei pudor em ser taxativa ou mesmo repetitiva em relação a certos pontos teóricos ou metodológicos considerados extremamente relevantes e, pelo que se sabe, ainda ausentes das práticas escolares de muitas escolas, públicas e particulares.

 

Por que continuo insistindo em falar com quem ‘está no começo’ de uma trajetória de formação linguística, isto é, graduandos de Letras e de Pedagogia, professores recém-formados ou aqueles que já se ocupam da educação básica?

 

Não terei pudor em ser taxativa ou mesmo repetitiva em relação a certos pontos teóricos ou metodológicos considerados extremamente relevantes

 

É que para esse público não se encontram facilmente obras que, sem descurar de uma boa fundamentação teórica, atendam às suas condições de ‘iniciantes’, fazendo, para eles, quase uma ‘tradução’ do que propõem as teorias mais atuais, sobretudo aquelas que têm como foco a dimensão ‘textual-discursiva’ da língua, na perspectiva da linguagem como atividade de interação, regulada também pelos amplos fundamentos da pragmática.

 

Essa opção se justifica ainda pela certeza de que a disciplina de Linguística é relativamente nova nos cursos de Letras, não consta em todos os currículos dos cursos de Pedagogia e, em um e outro curso, ocupa um tempo de estudo não muito longo.

 

Meus contatos com esse público me proporcionam a feliz oportunidade de identificar seus ‘vazios teóricos’, seus possíveis equívocos e entendimentos simplistas, os quais — pressupomos — repercutem na forma como eles atuam em sala de aula.

 

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