Blog da Parábola Editorial

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LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

 

Entrevista com Nina Spada

 

ReVEL — Quais são as contribuições mais importantes da linguística moderna para o ensino de língua estrangeira?

Spada — Uma das primeiras e mais significativas contribuições da linguística moderna para o ensino de segunda língua e de língua estrangeira foi a concepção de linguística estrutural, que, quando combinada com a teoria behaviorista de aprendizagem, levou ao desenvolvimento do método audiolingual. Esse método, considerado o primeiro método “científico” de ensino de língua, passou a dominar a área por muitas décadas antes da chegada da “revolução linguística” de Chomsky no final dos anos 1960, com a introdução da gramática universal (GU). A ideia de que existe uma gramática universal das línguas humanas se originou com a visão de Chomsky sobre a aquisição da língua materna (L1). Ele estava procurando uma explicação para o fato de que praticamente todas as crianças aprendem sua língua em um momento de seu desenvolvimento cognitivo em que estão experimentando dificuldades para conquistar outros tipos de conhecimento que parecem ser bem menos complicados do que a linguagem. Chomsky argumentou que isso não poderia ser conquistado pela mera exposição a amostras de linguagem no ambiente linguístico, porque a língua a que a criança é exposta é incompleta e algumas vezes “degenerada” ou fragmentária. Além disso, as crianças parecem ser capazes de adquirir sua língua materna sem qualquer feedback sistemático de correção, nem qualquer instrução. Chomsky então concluiu que as crianças devem ter uma faculdade inata da linguagem — um mecanismo com o qual elas já nascem — que as torna capazes de “decifrar o código” da linguagem que elas eventualmente irão aprender como língua materna, através de um processo de formulação de hipóteses e testes.

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Ensinar na Universidade

Ensinar na Universidade

 

Uma leitura instigante

 

Acabei de ler Ensinar na Universidade – conselhos práticos, dicas, métodos pedagógicos. O livro, do professor Markus Brauer, foi escrito em francês e traduzido para o alemão, o espanhol e o português brasileiro para a Parábola Editorial (São Paulo, 2012), em tradução correta e detalhista de Marcos Marcionilo [http://bit.ly/2vsYhvb]. 

 

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Atividades e tarefas escolares na aula de Língua Portuguesa

Atividades e tarefas escolares na aula de Língua Portuguesa
  

O que são atividades, tarefas ou exercícios na aula de Língua Portuguesa?

 

Parece provocação, mas precisamos revisitar o óbvio: o que são atividades, tarefas ou exercícios na aula de Língua Portuguesa? Utilizamos essa nomenclatura há muito tempo e agimos como se os sentidos estivessem estabilizados e como se todos, iniciantes e veteranos, ao usarem as mesmas expressões, se referissem aos mesmos objetos. Na realidade, porém, a elaboração de atividades e tarefas ou exercícios na formação do professor de português é um aspecto não tematizado como parte de um saber profissional.

 

Sem dúvida, elaborar atividades e tarefas ou exercícios é inerente à atuação docente. Mas em que momento da formação inicial esse aprendizado é sistematizado? A crença tácita na área é a de que os professores de Prática de Ensino ou os orientadores/supervisores de estágio devem se encarregar de ensiná-lo. A depender de como essa etapa da formação está organizada, espera-se que o(s) professor(es) de Didática tenha(m) abordado tal assunto em suas aulas. Mesmo que os professores de prática de ensino ou supervisores de estágio docente assumam a responsabilidade de ensinar a seus estagiários como formular exercícios, o tempo é quase sempre reduzido e são elaboradas poucas atividades. A observação geral sobre nossa atuação tem demonstrado que tal sistematização deveria começar desde as primeiras disciplinas da licenciatura.

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Estrangeirismos no comércio

Estrangeirismos no comércio

 

A recepção dos estrangeirismos no comércio

 

Com respeito à presença de vocábulos na maior parte oriundos da língua inglesa no português brasileiro, comumente observados em nomes de empresas, estabelecimentos comerciais, além de cartazes e anúncios em vitrines de lojas, lembro-me que, ao tomar café de manhã na “Padaria Breadway”, num belo dia de verão, numa cidade praieira no litoral paulista, e ao abrir a Folha de S.Paulo de 6 de janeiro 2000, vi meu texto “Língua pasteurizada” publicado na página 3 de “Tendências e Debates” (Schmitz, 2000a).

 

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AQUISIÇÃO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS

AQUISIÇÃO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS

 

Um modelo fractal

 

Os modelos de aquisição de línguas não contemplam todos os processos envolvidos na aquisição de uma língua, muito menos, os de uma língua estrangeira. Vejo esses modelos como visões fragmentadas de partes de um mesmo sistema. Embora seja possível teorizar sobre a existência de alguns padrões gerais de aquisição, cada pessoa tem as suas características individuais, sendo impossível descrever todas as possibilidades desse fenômeno. Há variações biológicas, de inteligência, aptidão, atitude, idade, estilos cognitivos, motivação, personalidade e de fatores afetivos, além das variações do contexto onde ocorrem os processos de aprendizagem ─ quantidade/qualidade de input disponível, distância social, tipo e intensidade de feedback, cultura, estereótipos, entre outros.

 

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Leitura: ainda precisamos falar muito sobre isto

Leitura: ainda precisamos falar muito sobre isto

 

O livro que faz amar os livros mesmo que você não goste de ler!

 


Nem 1% dos leitores da Parábola Editorial, muitos dos muitos mais que nos acompanham [odeio a palavra “seguidores”], se deu conta do lançamento de O livro que faz amar os livros mesmo que você não goste de ler!, em agosto de 2014, de Françoize Boucher.

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O PORTUGUÊS BRASILEIRO E O PORTUGUÊS EUROPEU

O PORTUGUÊS BRASILEIRO E O PORTUGUÊS EUROPEU

 

Quando nasce uma língua nova?

 

A grande maioria das pessoas acredita que definir o que seja uma “língua” é algo fácil e cômodo, e que os linguistas sabem com precisão onde termina uma língua e onde começa outra. Nada mais distante da verdade! Isso porque a definição de “língua” escapa das mãos dos linguistas — que há séculos confessam ser impossível enunciá-la — e vai pousar no terreno pantanoso daquilo que se chama ideologia. Sim, a definição do que é uma “língua” tem muitíssimo mais a ver com questões políticas, religiosas, identitárias etc. do que com questões propriamente linguísticas, isto é, fonético-fonológicas, morfossintáticas, lexicais etc.

 

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Princípios da sociolinguística

Princípios da sociolinguística

 

Conceitos e definição

 

A sociolinguística costuma ser definida como um ramo interdisciplinar nos estudos da linguagem. Para entendermos onde repousa essa interdisciplinaridade, vamos remontar sucintamente a suas raízes e discutir as subáreas que se abrigam sob a denominação sociolinguística.

 

Em meados do século XX, muitos estudiosos de linguística na Europa, palco de duas guerras mundiais, fixaram residência nos Estados Unidos. Eram pesquisadores renomados, com formação advinda da linguística saussuriana e do Círculo Linguístico de Praga.

 

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A estrutura da língua portuguesa

A estrutura da língua portuguesa

 

Um sistema semiótico infinito


Analisar cientificamente uma língua não é nada fácil. Os linguistas, que são os estudiosos que se dedicam profissionalmente a esta tarefa, sabem disso muito bem porque se deparam continuamente com as inesgotáveis complexidades estruturais e funcionais da língua.

 

Para se ter uma ideia dessa complexidade, basta lembrar que qualquer língua é uma realidade infinita. Entendamos bem isso. O número de sons da fala de que se serve uma língua é finito (em torno de três dezenas). O número de suas palavras (ainda que imenso) é finito (calcula-se que uma língua como o português brasileiro tem algo em torno de meio milhão de palavras). O número de regras com as quais organizamos os enunciados é também finito (embora não tenhamos ainda ideia clara de sua quantidade).

 

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O que é gramática?

O que é gramática?

 

Os diversos tipos de gramática e suas funcionalidades

 

LETRA MAGNA: Vamos começar por um questionamento genérico: o que caracteriza uma gramática?

 

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Linguística histórica e a mudança nas línguas

Linguística histórica e a mudança nas línguas

 

Uma introdução ao estudo da história das línguas

 

Não há exagero em dizer que o maior acontecimento dos tempos modernos na área dos estudos das línguas foi a descoberta de que elas têm história. São realidades dinâmicas, que mudam continuamente no tempo, e têm, portanto, um passado. Essa descoberta mudou substancialmente a nossa compreensão do fenômeno linguístico. Mas teve também efeitos amplos sobre toda a compreensão que a Europa tinha de sua própria cultura.

 

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Ensino de língua materna no Brasil

Ensino de língua materna no Brasil

 

As práticas silenciadoras de ensino

ENTREVISTA COM CELSO FERRAREZI

 

 

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Prática de ensino de língua portuguesa

Prática de ensino de língua portuguesa

 

6 Dicas para transformar sua aula de português

 

Há muitas evidências de que a prática de ensino da língua não tem conseguido resultados que respondam, satisfatoriamente, às demandas sociais do momento atual

 

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Repensar o objeto de ensino de uma aula de português

Repensar o objeto de ensino de uma aula de português

 

Uma forma de inserir o aprendiz na cultura letrada

 

O linguista Marcos Bagno considera lamentável que a imagem da língua portuguesa tenha sido empobrecida e reduzida a uma nomenclatura profusa e confusa e a exercícios mecânicos de análise sintática e morfológica. Para ele, essas são “práticas que se revelam, ao fim e ao cabo, inúteis e irrelevantes para, de fato, levar alguém a se valer dos muitos recursos que a língua oferece”. Ganhador do Prêmio Jabuti, Bagno é professor da Universidade de Brasília (UnB), pesquisador associado do Instituto da Língua Galega – Universidade de Santiago de Compostela, e atua no campo da educação linguística. No livro Preconceito linguístico (Parábola Editorial, 2015), o escritor reitera seu discurso em favor de uma educação linguística voltada para a inclusão social, o reconhecimento e a valorização da diversidade cultural brasileira.

 

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O ensino da leitura

O ensino da leitura

 

15 estratégias e 7 itens para ensinar a ler

 

Muitos alunos têm dificuldade de ler porque acham que estão lendo, mas não estão de fato envolvidos na construção do sentido. Como nos lembra Tovani, “o significado chega porque estamos engajados propositalmente em pensar enquanto lemos” (Tovani, 2004: 9).

 

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Língua Portuguesa para nativos

Língua Portuguesa para nativos

 

Um projeto com raízes no espaço escolar 

 

Venho propor, pensando no ensino de língua portuguesa, uma medida endógena, situada em nosso espaço nacional, uma medida um tanto quanto doméstica, por isso mesmo básica. Refiro-me às condições de nossas escolas de ensino da língua portuguesa para nativos. Quero aqui refletir sobre como a escola de cada comunidade brasileira, urbana ou rural, poderia iniciar os estudantes ou (confirmá-los) nos ideais de “promoção, defesa, enriquecimento e  difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais”, conforme propõe o Instituto Internacional de Língua portuguesa (IILP).

 

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O filólogo, o gramático e o linguista

O filólogo, o gramático e o linguista

 

O filólogo, o gramático e o linguista

 

O filósofo italiano Antonio Gramsci dizia que todos os seres humanos são filósofos. E isso porque todos nós formulamos intuitivamente perguntas fundamentais em busca de explicações para nossa existência e para o mundo. Apenas alguns de nós se tornam, porém, filósofos profissionais e, vinculados em geral às universidades, se dedicam ao estudo sistemático das perguntas fundamentais e das inúmeras respostas que a elas vêm sendo dadas desde que os gregos lançaram as bases da filosofia lá pelo século VI a.C.

 

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Letramento como prática social

Letramento como prática social

 

Brian Street:  “Buscamos um letramento baseado no que as pessoas realmente fazem”

Entrevista com Brian Street realizada pela Universidade Federal de São João Del Rei.

 

 

Como você define os Novos Estudos sobre o Letramento (New Literacy Studies – NLS)?

BS: Os NLS mostram que o letramento varia nas diferentes culturas, nos diferentes espaços dentro de uma cultura, nas distintas instituições e contextos. Você pode escolher um tipo de letramento para atender a um objetivo, mas não significa que pode transferir esse tipo de letramento para outro contexto. Se você coloca um texto para alguém ler, talvez a pessoa pronuncie algumas palavras, ou entenda a ortografia, ou os significados, as interações sociais, as relações. Adquirir letramento no colégio não significa saber lidar com o letramento na Universidade. Adquirir um letramento associado à Geografia não significa poder usar esse letramento na Engenharia. Os alunos, particularmente aqueles de cursos multidisciplinares, lutam muito, pois os professores dizem:

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CURSO DE LETRAS? PRA QUÊ?

CURSO DE LETRAS? PRA QUÊ?

 

Os nossos cursos de Letras

 

Vou começar essa conversa com uma afirmação clara e simples: a situação dos nossos cursos de Letras é catastrófica. Qualquer um: seja de universidade pública prestigiada em grande capital, seja de pequena faculdade isolada no sertão, a diferença é pouca. É doloroso ter que admitir isso. É angustiante, para uma pessoa apaixonada pelo estudo da linguagem em todas as suas manifestações, ter de escrever essas palavras: os nossos cursos de Letras são uma catástrofe. Por quê?

 

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Tendências pedagógicas na prática escolar

Tendências pedagógicas na prática escolar

 

9 dicas de como aprender com os erros

 

Diana Laufenberg é uma professora de história que trabalha na Science Leadership Academy da Filadélfia, Pennsylvania. Ela fez uma palestra no TED Talk (2010), intitulada: “Como aprender? Com os erros”. Essa palestra está disponível na internet e disponibiliza legendas em português. Vale a pena ouvir. São apenas 10 minutos sobre tendências pedagógicas na prática escolar, mas tão preciosos! Não deixe de ver. Siga o link: http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/diana_laufenberg_3_ways_to_teach

 

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