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Gêneros digitais por quem é autoridade no assunto: uma abordagem bakhtiniana

Gêneros digitais por quem é autoridade no assunto: uma abordagem bakhtiniana

Como identificar os gêneros digitais?

 

Podemos caracterizar os enunciados que circulam em mídia digital (acarretando novos letramentos) como gêneros? Essa é a pergunta que Roxane Rojo direciona a nós, tendo como enfoque os gêneros digitais. A autora divide a discussão sobre gêneros em dois tipos: gêneros de texto e gêneros de discurso.

 

Pensando na abordagem bakhtiniana, podemos aplicar esse método sociológico de análise quando tratamos de tecnologias digitais. Essa técnica de análise pode ser empregada no estudo do discurso online, da multimodalidade digital e dos formatos de hipertexto, multimídia e hipermídia, por exemplo.

 

Podemos aplicar também, quando pensamos em como essas tecnologias mudam a mentalidade do grupo que as usa, em como é a mentalidade da era digital e como essa mentalidade maximiza diálogos e valoriza a informação livre e colaborativa.

 

Gêneros textuais X Gêneros discursivos

 

Gêneros textuais

Quanto a gêneros textuais, segundo Roxane Rojo, existem diversas teorias priorizando a descrição formal com vários pontos em comum, sendo quatro pontos principais:

 

  • Todas se aproximam de uma definição wittgensteiniana de gênero como família de textos, sendo que famílias podem ser reconhecidas por similaridades (no dizer de Wittgenstein, por "formatos"). Essas similaridades podem se dar no nível do texto, nas abordagens textuais e sistêmicas (formas do texto – textuais/de composição; linguísticas/de estilo) ou do contexto ou situação/condição de produção (função ou finalidade; critérios pragmáticos/funcionais), nas abordagens retóricas.
  • Todas buscam compatibilizar análises textuais/da textualidade com as descrições de (textos em) gêneros, seja por meio de sequências e operações textuais (Adam, Marcuschi, por exemplo), seja por meio dos tipos de discurso (Bronckart, por exemplo).

  • Todas remetem a uma certa leitura pragmática ou funcional do contexto/situação de produção.

  • Todas mencionam a obra de Bakhtin e estabelecem uma aproximação – não isenta de repulsão e, logo, polifônica – com o discurso bakhtiniano.

(Rojo, 2005, p. 192-193)

 

Gêneros discursivos

Já quanto aos gêneros de discurso, ela explica citando como Bakhtin prioriza o método sociológico de análise.

"Mais tarde, em conexão com o problema da enunciação e do diálogo, abordaremos também o problema dos gêneros linguísticos. A este respeito faremos simplesmente a seguinte observação: cada época e cada grupo social têm seu repertório de formas de discurso na comunicação socioideológica. A cada grupo de formas pertencentes ao mesmo gênero, isto é, a cada forma de discurso social, corresponde um grupo de temas. Entre as formas de comunicação (por exemplo, relações entre colaboradores num contexto puramente técnico), a forma da enunciação (‘respostas curtas’ na ‘linguagem de negócios’) e enfim o tema existe uma unidade orgânica que nada poderia destruir. Eis por que a classificação das formas da enunciação deve apoiar-se sobre uma classificação das formas da comunicação verbal”.

(Volochinov/Bakhtin, 1981[1929], p. 43)
(apud Rojo, 2005, p. 195

 

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Novos gêneros:

  • Vidding
  • Fanvids
  • Political remix
  • AMV

 

A questão é: podemos caracterizar os enunciados que circulam em mídia digital (acarretando novos letramentos) como gêneros digitais?

 

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Roxane conclui, então, que podemos sim caracterizar o que corre nas mídias digitais como gêneros, especificamente gêneros digitais, se pensarmos em gêneros discursivos que incorporam novas formas de letramento.

 

Para entender melhor o assunto, acesse a apresentação completa da doutora Roxane Rojo no Prezi.

 

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